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Direcção, organização e redacção
Álvaro Lobato de Faria e Zeferino Silva

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Tuesday, October 26, 2010

Isto é Selvagem como a Gramática da Pele








JOÃO DUARTE

escultura



JOSÉ MANUEL SIMÕES fotografia



Dia 11.

Isto é selvagem como a gramática da pele. O corpo procura ter
nexo com o futuro, ganhar tempo, projectar nele o animal que
não pára de andar à minha volta. Fico-me pelo que era, ou éra-
mos, não pelo que sou. Ou somos. Nestes dias, a água é lenta e
paciente, já não é filha do relâmpago, é agora uma fábula.
Escrevo com a memória das coisas, arrepio-me, sou uma canção.
Hoje celebro um outro contrato com a vida. A alínea do corpo é
retirada. Revogo o arrependimento e as lágrimas, estabeleço uma
labareda em seu lugar. Há uma pequena glória, como a alegria do
gelo na primavera, quando derrete e se transforma em regato, e
se transforma em rio, e se transforma em mar, e se transforma
em oceano, e se transforma em chuva, e se transforma em gelo,
e se transforma. E se transforma.
E me transforma.
JOAQUIM PESSOA
prosa


O MAC - Movimento Arte Contemporânea convida V/Exas. para a inauguração da exposição

Isto é Selvagem como a Gramática da Pele,

a realizar nos nossos espaços em Lisboa,
no dia 2 de Novembro, terça-feira, pelas 19h00.
texto de apresentação

Nestes tempos, em que as relações entre seres se contrapõem , surge agora esta exposição trivectorial “isto é selvagem como a gramática da pele” representada por estas três obras que nos seus modos diversos de concepção e expressão se entrelaçam no conceito. Divergindo de um ponto comum, estes três autores partem da essencia comum das criações, do fulcro essencial do desejo, tomando a mulher-mater como princípio sagrado de todos os estádios e sensaçoes. A pele, aquele orgão total do corpo humano é chamado como receptáculo das emoções primeiras, que os autores transpõem para a obra, neste respirar essencial. Pele , receptáculo de todas as sensações, nas simples ou complexas crispações emocionais, íntimas até ao absoluto extâse, do ser complexo na sua sensualidade que é o Homem. Diálogo visual, crispação intensa, gramática imprevisivel que abarca todo o reflexo do Ser na sua relação sensual constante com o quotidiano e o espaço mais ou menos obscuro , mais ou menos luminoso que habitamos. Pele, reflexo de micro cristais da luz do sol que permite toda a sensualidade das formas nas suas mais diversas soluções. Agora, o Mac tem o prazer de receber neste espaço estes modos de sentir nas formas várias de expressão: a Poesia de Joaquim Pessoa, a Fotografia de José Manuel Simões e a Escultura de João Duarte. Bem hajam!

Álvaro Lobato de Faria director coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea


A exposição estará patente até dia 25 de Novembro, dentro do horário de funcionamento da galeria.
Para mais informações sobre a exposição e artistas, consultar o nosso site
http://www.movimentoartecontemporanea.com

Tuesday, September 21, 2010

Roberto Chichorro no MAC







O MAC-Movimento Arte Contemporânea inaugura a exposição de

Roberto Chichorro

“Arlequinando Fados da Vida”

no dia 30 de Setembro de 2010,

quinta-feira, pelas 19 horas

no seu Espaço' Av. Álvares Cabral nº 58 – 60 em Lisboa, telefone 962670532.



A exposição estará patente de 30 Setembro - 28 Outubro 2010
Galerias: MAC álvares cabral

  • Extraordinariamente sensível na fluidez da linguagem e das formas, Roberto Chichorro reafirma-nos uma poética surrealizante e onírica. Contido num tempo essencialmente rítmico, rigoroso na técnica e na materialidade da cor, evoca em cada tela o sentido telúrico do seu universo e realidades pessoais, recheado de musicalidade e erotismo, num constante convívio metamorfoseado entre homens e animais. Arlequinando Vidas de Fado situa-nos no exacto lugar entre a pintura e a poesia, onde as cores, os sons e as formas se harmonizam de maneira a criar um reportório simbólico que celebra a vida como um jogo de acordes, em sucessões de ritmos intensos que ecoam no olhar e na memória dum inconsciente esquecido, de uma África latente em todos nós. Por invisíveis elos que se estabeleçam, uma interconexão de sentidos faz aflorarem significados submersos, inscritos num inconsciente de contextos sociais colectivos onde se adivinham as memórias pessoais que os geraram. Roberto Chichorro recupera as estórias contadas em noites mágicas, passadas de geração em geração, numa perspectiva de reconstrução do amor e do sonho, onde se fundam e fundem os seus eternos luares. Revela-nos as memórias da alma num horizonte temporal longínquo, muito para além da magia e do sonho, marcado por um colorismo imanente de mitos e ritos que se situam nas suas raízes e referências africanas, na ingenuidade possível de um tempo construído entre o real e o imaginário.

Monday, February 8, 2010

Ricardo Paula_"o eco...e o azul profundo da Casa do Lago"






2 a 31 de Março de 2010

O eco... e o azul profundo da Casa do Lago




PINTURA de Ricardo Paula



texto de apresentação



Ora exuberante ora como relâmpago de silêncio e desespero, simbiose de céu e terra, realidade e imaginação, prisão e liberdade, a Mulher é a essência da pintura de Ricardo Paula, onde o ser é elevado da sua redutibilidade física a esferas de grandeza e de místico conteúdo alegórico.
O seu rosto, por vezes encoberto e indefinido ou acentuado com traços fortes e marcantes, situa-se no limiar do intraduzível real e conduz-nos de imediato ao mundo próprio do artista.
As formas despidas, o jogo da geometria, da luz e da emoção não impedem a existência de uma tensão, uma dissonância íntima que introduz a sensualidade e explica o prazer que sentimos ao contemplá-las.
São sonhos que conhecemos sem os ter sonhado, sugestões de fantasia, testemunhos imaginados, como que um sussurrar de segredos, fruto da sua força plástica e do uso sábio da neutralidade da cor.
A pintura de Ricardo Paula constitui um elo entre a pureza do traço e a beleza das formas. É algo não só peculiar, mas até mesmo magnífico, uma visão toda nova e toda sua de engrandecer e a enriquecer o nosso olhar e a maneira de percebermos as coisas e o universo em que vivemos.
Há, não só, o espaço que apenas com o olhar se vislumbra, mas há também e sobretudo, a sugestão das coisas que contemplamos sem as vermos. O seu silêncio é uma forma de absoluto anseio da totalidade perdida.
E é nesse silêncio diluído das telas, nessa nudez quase branca que surgem agora as tímidas vozes que habitam “o eco... e o azul profundo da Casa do Lago”.
E já não sabemos se são recordações que julgávamos perdidas ou simplesmente apelos contidos das nossas emoções, onde gentes e objectos estão presentes por detrás das telas, onde nada sobra, nem um só traço que não seja essencial.
Ricardo Paula traduz com pujança incomum a sua nítida visão pessoal, numa coerência em que as personagens são subtilmente diferenciadas através das cores incisivas e da dinâmica do traço: inscrevendo linhas viris e bem visíveis, sobretudo na maneira vigorosa de sublinhar o desenho, a sua pintura denota uma vontade e um querer impositivos.
A composição severamente estruturada e as relações cromáticas são inovadoras de contrastes e plenas de vigor e originalidade. A textura é utilizada com sabedoria, matiza a emoção do artista e confere densidade à pintura.
Com este inventário deixado pelo prazer e pelo abandono, com todas as notas tiradas à margem como fragmentos de vida, Ricardo Paula cumpre, entre a inovação e o aperfeiçoamento progressivo das suas formas, um compromisso entre o imaginário e a humanidade que se pressente nos gestos e na expressão do quotidiano.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Fevereiro 2010









português/inglês

Wednesday, September 2, 2009

Novas exposições

bestiário # 1 /óleo s/tela / 100 x 130 cm / 2008



" de costas para a janela" / tecn.mista s/tela / 100x150 cm / 2008


O MAC-Movimento Arte Contemporânea

abrirá a nova época

no dia 3 de Novembro de 2009

com a exposição



"não! não abro mão da minha maré."

comemorativa dos

45 anos de carreira

da pintora Maria João Franco.


***



http://www.movimentoartecontemporanea.com/



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Tm. 962670532 /215 213867215 / 21 385 07 89
Fiz `ART09


Alfred Opitz /Ana Tristany /Artur Bual /Cruzeiro Seixas/ Dina Aguiar /Fernando d `F. Pereira Figueiredo Sobral /Hilário Teixeira Lopes /Jaime Murteira /João Abreu/ João Chichorro/ José Vicente /Lourdes Leite/ Luísa Nogueira/ Manuela Pinheiro /Maria João Franco /Miguel Barros/ Mira Sousa Dias /Noronha da Costa /Nuno Castel-Branco /Paulo Canilhas /Ricardo Paula /Roberto Chichorro/ Saulo Silveira /Sebastião Rodrigues/ Teresa Mendonça /Tereza Trigalhos

Largo da Luz, 1600-498 Lisboa
Tel. 217 104 000 217 104 000 / Fax.217 104 016217 104 000 217 104 000 / Fax.217 104 016 colegiomilitar @ colegiomilitar / http://www.colegiomilitar.pt/

9 a 21 de Outubro / 2009 Pavilhão do Auditório do Colégio Militar das 14h às 19h

Estacionamento do Colégio Militar


notícias em:

http://www.factorlisboa.com/site/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=77&Itemid=109

http://www.youtube.com/watch?v=geDmeSQCLWs&feature=player_embedded



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MIRA SOUSA DIAS




Entretanto inaugura a 29 de Setembro de 2009,

pelas 19 horas na Av.Álvares Cabral 58/60,

uma mostra de Mira Sousa Dias

Passagem Secreta

que estará patente até 29 de Outubro de 2009,

com o horário normal da galeria,
de segunda a sexta, das 13h às 20 h
sábado, das 15h às 19h
domingo, por marcação
tm 96 267 05 32



No universo plástico de Mira Sousa Dias, as formas do micro e do macro-mundo flúem incessantemente, coexistindo com elementos de diferentes dimensões, volumes e planos, nas suas mais diversas configurações.
.
A cor densa da têmpera, que habita estas telas, por onde Mira Sousa Dias faz veicular a cor, que parece emanar, de algures, abrindo caminho através da superfície branca da tela, provocando relações cromáticas completamente diferentes, em que audaciosas improvisações e fortes impulsos gráficos fazem vibrar obras autónomas de grande expressividade e intensidade criadora.

A sua linguagem plástica é marcada pelo originalidade de um jogo de alusões/ilusões, ocultações e associações aparentemente sem nexo, que apelam à experiência existencial do observador, arrastando-o para desafios que deseja enfrentar, como se quisesse fazer parte deste mundo aqui proposto.

Pelo “ensinamento” da vontade com que Mira Sousa Dias enfrenta a susceptibilidade do espaço, da cor e da luz, podemos dizer que é a sua aposta constante presente em cada obra:
- Uma aposta na destrinça entre o real e a realidade, e a constante e pertinente pesquisa que daí advem , realizada através de aparentes esquiços para uma talvez nova arquitectura dos tempos possíveis.

Álvaro Lobato de Faria
director coordenador do MAC
Zeferino Silva
director do MAC

mais informação em
www.movimentoartecontemporanea.com

Saturday, May 9, 2009

Pintura,Fotografia e Medalha Contemporânea no MAC



O MAC-Movimento Arte Contemporânea
www.movimentoartecontemporanea.com
inaugura três exposições no dia 2 de Junho pelas 19horas



"Karingana-estórias de era uma vez"



pintura de Roberto Chichorro






na Av. Álvares Cabral,58/60 em Lisboa



Roberto Chichorro com esta sua exposição “KARINGANA – estórias de era uma vez” revela-nos o fundamento da sua estética e da sua poética, a essência da imagética formal das suas raízes.
Marcas da vida nas memórias e no registo, estas telas dão-nos a ideia possível das suas referências.
Pintando, Chichorro remete-nos para o seu tempo passado, para os seus lugares de eleição, como se a vida se fixasse em cada modo, em cada cor, em cada amplexo da forma.
Forma que nos faz sentir a estória de ritos e mitos em que somos modelados e fixados numa sinalética que é o paradigma total da nossa/sua realidade.
Assim, paradigmática é a obra de Roberto Chichorro, na obediência, inconsciente ou subconsciente, com que associa os símbolos que revelam a forma total da sua africanidade, na poética ritualesca em que se respira a memória da sua vida vivida.

Como referimos no texto da sua mostra “Tempo de noivamentos com flores de ser jacarandá” a pintura de Roberto Chichorro situa-se num tempo essencial, espacial, e rítmico de um “eros” onirico e musicalizado, marcada por um colorismo emanente de mitos e ritos que se situam nas suas raízes e referências, na ingenuidade possível de um tempo escolhido entre a memória e a poesia”


Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea






  • "ESPAÇOS-experimentação do olhar"

  • Fotografia Rosa Reis



    • na Rua do Sol ao Rato 9 C em Lisboa



    Rosa Reis é uma artista no sentido exacto da palavra, pela alegria que transmite aos outros, pela sua generosidade, pela forma idealista como encara a sua arte e pela originalidade e perspicácia como capta os melhores ângulos de um rosto, o sentido de um gesto, de um movimento ou de vários aspectos do quotidiano, transformando a realidade através de um modo de ver, de visualizar que é o seu.

    Com as imagens que Rosa Reis nos oferece, podemos identificar o seu modo de estar e sentir, os seus motivos, a forma mágica como ela integra a realidade dos objectos, a sua presença num mundo continuado e poético que é a sua obra.

    Um olhar perspicaz vocacionado para a captação intemporal do mundo, das pessoas e das coisas, dos espaços e dos tempos, Rosa Reis capta a magia do momento incomensuravelmente mínimo, em que o seguinte se desiguala por força do tempo que vivemos, insertos que somos no nosso universo cósmico.

    A fotografia, distantemente das outras artes bidimensionais, fixa o momento exacto.
    Tentativa usada pelos impressionistas, no sentido de recolher o instantâneo de luz /cor de cada momento. Longe do impressionismo e do realismo em termos estéticos e mesmo descritivos, a inclusão da fotografia como meio moderno surge como sintoma de ruptura e fim da modernidade e, paradoxalmente, dos fundamentos do pós-modernismo.

    A imagem fotográfica tem a capacidade de reter presenças que de algum modo sirvam, por um lado para o reconhecimento do real e sua apreensão como a mágica representação de momentos de memória.

    Entra por este meio no universo das artes, da arte, talvez ao nível da simbólica representação pré-histórica para a apreensão do objecto, tornado objecto de arte pela evolução dos conceitos.

    Tomemos esta analogia como se a fotografia fizesse parte ainda da antropologia das memórias registadas.

    Mas, quando a fotografia ultrapassa o real e penetra um mundo filtrado pelo fotógrafo, entra já conceptualmente no campo da arte como fazendo parte integrante dos objectos sujeitos à manipulação do artista, surgindo um objecto-outro posto em acto pela mente criativa do artista.

    Em Rosa Reis, ao longo da sua obra publicada, sentimos esse estímulo de registos e comparações do homem em habitats vários, reformulados e inseridos em contextos diversos, dando-nos por vezes a dimensão de escalas e situações em que o homem se ultrapassa a si próprio; noutras séries de obras oferece-nos o inquietante e palpitante espectáculo do frenesim actuante, como se o som e o movimento parassem no tempo, para nos fazer chegar o sentir e o respirar daquele momento.

    Assim, é necessário chamar a atenção para o facto de a obra de Rosa Reis não ser a imagem em geral, mas sim o modo como aquela foi concebida e realizada através de um dispositivo técnico elemento intermediário e interfactual entre Ela e o mundo.

    No entanto e apesar desta demarcação, é evidente que na sua condição real de imagem, depende ainda de outras relações.

    A mais problemática será sem dúvida do ponto de vista histórico e ontológico que a imagem assinala como uma ferramenta de representação realista que Rosa Reis na sua imensa qualidade delata, pela formulação interna que determina a sua forma específica de aprender a realidade, dá-nos essa mesma realidade como sua.

    É por esta qualidade enorme que Rosa Reis nos apresenta agora no MAC – Movimento Arte Contemporânea esta exposição e nos oferece aquilo que tomou para si no tempo e no momento como corpo e alma das coisas ali representadas.


    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea




    ANVERSO REVERSO - 5

    João Duarte/Medalha Contemporânea

    • na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa

    Apocalypse - bronze patinado


    Ambivalência I - bronze patinado





    Ambivalência II - bronze patinado



    Temptation - bronze patinado



    As maneiras segundo as quais os homens são capazes
    de competir pela superioridade são tão variadas
    quanto os prémios que são possíveis de se ganhar(1)



    Homo Sapiens / Homo Faber / Homo Ludens

    O carácter de ficção é um dos elementos constitutivos da obra de João Duarte.
    É coisa muito séria e necessária, além de ser reclamado como um “direito de autor”.
    Os jogos e os “brinquedos” fazem parte da vida do João tanto quanto ele vive num mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonho, onde realidade e faz-de-conta se confundem. “Brincar” está-lhe na génese do pensamento, da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo.
    Enquanto o “jogo” dura, as regras que regem a realidade quotidiana ficam suspensas. E é assim que tem de ser.
    O João é o medalhista que brinca. O Homo Ludens (2)
    de Huizinga que aprimora a capacidade lúdica como uma categoria absolutamente primária, tão essencial quanto a fabricação do objecto ou o raciocínio que lhe antecede.
    Dá forma a mentefactos, objectos ou representações mentais de coisas, situações, ocorrências externas e vivências interiores conscientes ou emocionais.
    Como um verdadeiro microcosmo, a obra do João Duarte estabelece-se como uma realidade fascinante, diversa da arte contemporânea, possuidora de tempos, espaços, regras, valores e objectivos específicos.
    É este o sentido, a forma e o modo como o João Duarte interiorizou e desenvolveu o papel da medalha como Objecto de Arte, transformando o conceito tradicional de medalha num outro – a medalha como Objecto Lúdico. Objecto de conhecimento na relação que estabelece com o fruidor que dele participa, captando-o segundo as formas adquiridas à priori e as categorias inatas ao intelecto.

    Se tem um pai, também há-de ter mãe

    Estava-se no final da década de 70 na então Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, à cidade de São Francisco. Emergia um esforço encetado pelo Professor Escultor Euclides Vaz no sentido de incrementar a medalha como tecnologia da licenciatura de Escultura.
    Entre os primeiros curiosos, o João.
    A medalha situava-se agora entre a ordem e a desordem, constituindo-se já como um instrumento de uma nova sociabilidade, com limitações e oferecimentos.
    Do emaranhado de experimentações iniciais ressaltavam agora, de uma forma mais ou menos clara, as primeiras propostas concretas realizadas ao longo da última década – José Aurélio, Irene Vilar, José Rodrigues, Charters d`Almeida, José João Brito ou Clara Menéres aventuravam-se a desbravar caminho, entre tantos outros.
    Aparentemente, a medalha “jogava-se” com uma realidade que se regia por regras convencionais, convencionadas e racionais, provavelmente razoáveis e aceites por todos os intervenientes. Mas no João gerava emoção, excitação e fascínio.
    Apesar do seu regramento, a medalha manifestava-se imprevisível, abria uma brecha, um intervalo no quotidiano, no “sério”, abria um leque de possibilidades, um tipo moderado de loucura, que determinava a carga intensa e múltipla de significados que se propunha desenvolver.
    Transcendia a finalidade e o sentido comemorativos, conferindo-lhe uma carga “festiva”.
    Parentescos à parte, com relação ao estudo de um amplo conjunto de comportamentos que inclui as primeiras experimentações plásticas, João Duarte pode ser considerado como o primeiro a encetar esforços no sentido de estabelecer uma praxis no campo da medalha contemporânea, dependente, exactamente, da modalidade ou característica lúdica que lhe serve à argumentação.
    De “menino bonito” a “enfant terrible” da medalhística portuguesa, faz parte da sua história por representar uma conquista fundadora. Só por isso tem direito ao seu lugar.
    A par dos avanços técnicos, estético e até culturais que materializou, o que mais impressiona é que ainda hoje, mais de duas décadas passadas, quando tudo mudou, o João se mantém firme, testemunhando uma vanguarda que o tempo não apaga.

    Abrir caminho é tarefa para os audazes. E o João faz parte dessa classe “dirigente” que olha para a frente e projecta o futuro. A sua obra tem sede própria – ensaia composições, recorre a materiais variados, aplica a pluralidade das cores.
    Misturando o bronze com outros materiais, cria peças com um novo sentido para o fruidor, podendo este intervir, desagregando e reconstruindo o objecto, como se de um puzzle se tratasse.

    Traçar e seguir um rumo…

    Como no desenrolar de uma paixão, as certezas fortaleciam-se nas conquistas que alcançava. Os primeiros prémios, o reconhecimento nacional, a primeira internacionalização (em 1988, no XXI Congresso Internacional da FIDEM, em Colorado Springs, por recomendação do gravador Vasco Costa).
    A medalha apresentava-se como um campo cada vez mais complexo e fascinante, com maior ou menor nitidez, maior ou menor ocultação. Uma aparência entendida como aquilo que parece ser, mas que possibilita qualquer coisa de diferente e até de oposta.
    Na década de 90, logo após a aposentação do Professor Hélder Batista, assume a regência da cadeira de Medalhística na então Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e traça o rumo para as gerações vindouras. Um rumo que convoca de imediato duas premissas de base: a diferença e a complementaridade.
    Uso, transformação, recriação – o abandono de preconceitos amarrados a uma noção erudita, elitista, virtuosa e redutora da medalha.
    A estandardização, aos poucos, dá lugar à aspiração de originalidade. A busca de objectividade extrema abre lugar à inquietação da subjectividade que determina a sua carga intensa e múltipla de significados – a produção de sentido.
    O João Duarte levou as velhas e novas gerações de escultores a interessarem-se pelo estudo da medalha enquanto obra de arte, inculcando-lhes a ideia de liberdade de criação de um objecto que pode ser manipulado de uma forma diversa, não forçosamente como sinal comemorativo de algo, mas sim, como objecto com lugar próprio e bem definido no campo da universalidade da arte.
    Costurado pelo chamado “espírito desportivo”, capaz de banalizar vitórias e derrotas ao sustentar a máxima “o importante é participar”, nasce o primeiro grupo organizado de medalhistas portugueses – ANVERSO/REVERSO. Na sua composição fundadora, os nomes de Hélder Batista, João Duarte, José Simão, Paula Lourenço e Vítor Santos articulavam-se numa espécie de rede de fraternidade reunida, literalmente, em torno de uma mesa de restaurante.
    Medalhas e problemáticas teórico-práticas à parte, o verdadeiro “espírito de grupo”, inicialmente alicerçado numa ética que partia da liberdade voluntária dos seus membros e impunha a igualdade de oportunidades e condições, viria a manifestar-se numa forma de ordenação providencial, traduzida por uma outra máxima - “que vença o melhor”. Situação que envolvia a necessidade de afirmação de unidade territorial, vaticinando o verdadeiro clamor concorrencial que lhe estava na génese, quem sabe se pelo impulso da competição, se pelo prazer do embate.
    A rigor, os jogos podem ser sérios. Situados entre as actividades regradas e concretas que participam da sensatez. Mas a capacidade de jogar conforme as regras combinadas não é inerente a todos. Depende de certos princípios exteriores ao próprio jogo, como honra, honestidade e bom-tom.
    Que vença o melhor, pois então!



    É necessário que ele cresça e que eu diminua.(3)


    A dupla face do João

    No Cristianismo medieval, as antigas festas solsticiais em honra de Baco, Saturno ou Jano (4)
    , o deus de duas faces, tornaram-se nas festas dos dois Joões – Batista e Evangelista – celebrados nas proximidades dos solstícios de Inverno e de Verão.
    E apesar de não existir nenhuma relação etimológica entre os dois nomes, não podemos deixar de nos questionar se será puro acaso a semelhança fonética entre Jano e João.
    Sendo Junho o mês das sanjoaninas, manifestações mais significativas das festividades populares, que melhor altura para comemorar o João?
    Embora não possamos ignorar a perspectiva mais plural e elástica da “concorrência”, na fase de construção paradigmática em que a Medalhística se encontra actualmente, o programa do João Duarte apresenta-se como o mais estimulante.
    Verdadeiramente inovador, medalhista de referência, João Duarte criou como ninguém antes nem depois, um outro estatuto para a Medalha, integrando-a de uma forma definitiva no panorama das artes plásticas portuguesas.
    Adoptando uma perspectiva ampla, nas suas variantes ideológica, formal e pedagógica, que lhe permite melhor agarrar a complexidade e heterogeneidade do campo operativo, não corre riscos de se perder num horizonte sem fronteiras mínimas, recorrente a pequenas imitações, simbólicas ou padronizadas de multiplicação ad infinitum.
    Eficiência e honestidade. A dupla face do João. Conta o que está e os que estão e à sua volta está uma “movida” imparável que lhe estimula a criatividade. Alimenta-os e alimenta-se deles.
    Com o VOLTE FACE – Medalha Contemporânea(5)
    (actual Secção de Investigação que coordena na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) comemorou já as bodas de estanho. Ainda não é prata, ainda não é ouro. Mas o estanho, maleável e sólido, não oxida facilmente e é resistente à corrosão.
    Desde a fundação do MAC, muito próximo dos 15 anos de existência, que o João Duarte tem sido um verdadeiro Amigo e um colaborador activo constante, expondo com regularidade o seu trabalho de escultura e de medalha, contribuindo também, deste modo, para o prestígio do MAC – Movimento Arte Contemporânea.
    Nesta exposição, ANVERSO REVERSO-5, assumida como símbolo da expurga a fazer neste campo plástico, João Duarte afirma o papel de mestre que lhe cabe como medalhista maior que é, como artista que assume de corpo inteiro o lugar que lhe compete, cuja obra desenvolveu, repartiu e frutificou neste esplêndido conjunto de medalhas que agora nos apresenta.


    [1] Huizinga, Johan: Homo Ludens Perspectiva: São Paulo, 1999, p.119
    [2] Op. cit
    [3] João; 3: 30
    [4] A propósito de Jano v. Teixeira, José; “A Dupla Face de Jano”, in ANVERSO REVERSO, Lisboa: INCM, 2009
    [5] A propósito v. Duarte, João; VOLTE FACE – medalha contemporânea – 10 ANOS, Lisboa: Centro de Investigação e de Estudos Volte Face – Medalha Contemporânea, 2008; pp.5-6.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea


    • As mostras podem ser visitadas até 26 de Junho de 2009

    de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado,das 15h às 19h
    domingo, por marcação Tm 96 267 05 32


    Em http://www.movimentoartecontemporanea.com/
    poderá encontrar toda a informação sobre o
    MAC-Movimento Arte Contemporânea

    Friday, April 24, 2009

    Lourdes Leite e Fernando d'F.Pereira no MAC

    O MAC-Movimento Arte Contemporânea
    inaugura mais duas exposições no dia 5 de Maio pelas 19horas
    "Incursões" de Lourdes Leite
    na Av. Álvares Cabral,58/60 em Lisboa
    e "Continuação " de Fernando d'F. Pereira
    na rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa
    ambas as mostras podem ser visitadas de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado,das 15h às 19h
    domingo, por marcação Tm 96 267 05 32

    [NOTA: no nosso site

    http://www.movimentoartecontemporanea.com/

    poderá encontrar toda a informação sobre o

    MAC-Movimento Arte Contemporânea]

    As exposições estão patentes até 29 de Maio


    LOURDES LEITE
    "INCURSÕES"

    Amadeu

    Mondrian

    Toulouse-Lautrec

    Lourdes Leite tem um dos mais fecundos percursos no panorama das artes plásticas portuguesas. A sua pintura, extremamente personalizada, de uma marcante qualidade plástica, assegura-lhe com toda a justiça e sem sombra de dúvida um lugar na “nata” da história de arte portuguesa, que é o patamar dos nossos mestres.
    De uma firmeza técnica excepcional no domínio do seu ofício e na marca pessoal que sempre imprime nas suas telas, Lourdes Leite não se deixou nunca absorver por quaisquer temporais e inconsequentes “modismos”.
    Assim, o rigor e a objectividade com que sempre trabalhou a pintura e a gravura colocaram Lourdes Leite num dos lugares cimeiros da sua geração.
    Por isso mesmo, é com crescente destaque no meio artistico português que o seu trabalho se notabiliza, pela profundidade da reflexão em que se envolve por força de um quotidiano artístico e se enriquece pelo rigor, diríamos oficinal, da sua execução e espiritualidade da sua concepção.
    Pairando sobre a sua obra, uma forte dimensão lírica que só uma artista subtil e refinada como Lourdes Leite tem o dom e o poder de ostentar, pela fluidez da sua linguagem, pela força e encanto da sua evasão e do seu êxtase, faz com que o viajar pela sua obra seja uma fascinante e esplêndida aventura plástica e poética.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea
    2009



    FERNANDO D'F.PEREIRA
    "CONTINUAÇÃO"


    Pica pau



    o linguas




    o do vento




    Estar perante a pintura de Fernando d’ F. Pereira é estar diante de um mundo muito próprio em que a obra se oferece ao fruidor um espectáculo de cor e forma em que estas se autodeterminam para aparência do acaso.
    F. Pereira não se inscreve enquanto criativo no mundo massificado da arte global.
    Antes, dela se distancia na medida em que não se detecta qualquer influência próxima, não pondo de lado contudo o manancial de saber que advém do conhecimento de toda a pintura anterior, desde um Pollock a um De Kooning, passando mesmo por um Du Buffet, tendo contudo sabido traduzir a síntese de todas as correntes estéticas do século XX num modo muito peculiar de operar no campo plástico a sua interioridade pelo prazer lúdico com que manipula os diversos materiais.
    Esse modo de prazer, de um fazer acidental em que formas e figuras parecem surgir do acaso, tornando-se inteligíveis pela forma dinâmica como se relacionam no campo plástico.
    É um jogo de pequenas e grandes áreas que se vão tornando conotáveis ao olhar e capacidade de captação e relação formal, criando uma rede de encenação como que divindades saindo de um plasma inicial. Isto provém da alta técnica de Fernando d’ F. Pereira no uso dos materiais e no tratamento das cores.
    Confirmando o talento e a alta qualidade do autor desta mostra, eis o motivo pelo qual nos sentimos compensados com esta exposição de Fernando d’ F. Pereira agora patente no MAC-Movimento Arte Contemporânea.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea
    2009

    Thursday, March 26, 2009

    Miguel Barros e Saulo Silveira no MAC

    MIGUEL BARROS
    O MAC-Movimento Arte Contemporânea
    inaugura no próximo dia 7 de Abril, 3ª feira
    a exposição de pintura de
    Miguel Barros
    "FACES"
    na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa.
    A exposição estará patente até 30 de Abril de 2009.


    A pintura de Miguel Barros, entre as harmonias e as dissonâncias, faz surgir da sua obra o espírito moderno do questionamento formal, a quebra do espelho fácil da realidade, substituído pela emergência de um “mundo interior”, colorido e de formas da alma que traduzem um olhar aguçado sobre a vida e sobre as coisas.
    De ano para ano, Miguel Barros, mercê de uma entrega total à sua arte, a pintura, tem vindo a definir-se tanto pela necessária maturação da sua técnica, como pela feição caracterizadamente pessoal que consegue imprimir a todos os seus trabalhos.
    Essa conquista, em qualidade e sensibilidade plástica, foi-se tornando notória ao longo das inúmeras exposições em que participou, o que justifica o sucesso obtido, passando a ser uma excelente referência para todos nós.
    A sua trajectória artística, mostra-nos com clareza uma ligação fundamental com a pintura. Todo o seu trabalho é como uma caligrafia do espírito, transmissão directa de reflexões, de sentimentos que pouco a pouco se transformaram em matéria, de pensamento plástico.
    As suas obras adquirem uma extraordinária dimensão, para a consciência emotiva, criando um mundo de expressão, movimento e visualidade, onde as linguagens se encontram num místico e misterioso prazer.
    Toda a sua obra confirma, expressivamente o seu talento e sobretudo a sua técnica, através de um estilo próprio, visão original das coisas, concebendo com toda a sua sensibilidade e criatividade, superfícies que só por si, falam e vivem.
    O que Miguel Barros nos propõe nesta sua nova exposição, intitulada “Faces” agora presente no MAC - Movimento Arte Contemporânea, são ideias, pensamentos e conceitos plenos de paixão e energia, contundentes na sua construção e morfologia, uma forma de renovação da arte através de uma obra responsável levada com directrizes dirigidas a deveres artísticos.
    Observando estas suas novas obras, encontramo-nos perante enigmas, fascínios, universos simbólicos para serem apreciados pela meditação.
    O entusiasmo e a verdade que Miguel Barros nos transmite, são o sinal com que eu mesmo me identifico e daí ter conhecido, um grande artista e um excelente companheiro nos campos da imaginação.
    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC

    A mostra estará patente ao público com o seguinte horário:
    de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado, das 15h ás 19 h
    domingo, por marcação tm 96 267 05 32

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    SAULO SILVEIRA


    O MAC -Movimento Arte Contemporânea

    inaugura a 7 de abril de 2009, pelas 19 h
    na Álvares Cabral 58/60 em Lisboa
    a mostra de
    Saulo Silveira
    "Retorno às Origens"





    O mundo da cor ganha, sem dúvida, como que uma nova forma, coincidindo com o universo artístico de Saulo Silveira.
    No espaço, as formas do micro e do macro-mundo fluem incessantemente coexistindo como elementos de diferentes dimensões, volumes e planos, aludindo as mais diversas configurações.
    Nele coabitam, inevitavelmente, uma parte acidental do infinito saído do caos e uma nova ordem estabelecida pelo artista que escolhe, de entre a multiplicidade vária de combinações, unicamente aqueles motivos orientadores que atraem pela sua novidade e lhe suscitam novas e excitantes associações.
    De um modo semelhante a uma membrana celular, os seus trabalhos permitem-lhe levar a cabo, uma espécie de troca energética com o mundo externo.
    Todas as obras deste seu ciclo, são variações do mesmo motivo paisagístico.
    O cenário de tal tarefa está ligado a uma tentativa de encontrar todas as soluções possíveis que contextualize uma única” ideia” através do enriquecimento da gama de associações com ecos do passado e do presente.
    Saulo Silveira alcança os mais variados e inesperados efeitos utilizando um amplo arsenal de meios pictóricos numa extraordinária adequação a uma finalidade estética e plástica em que a abstracção se impõe como resultado iniludível do testemunho da luta do artista com a tela.
    Uma reincarnação mágica de um caos submetido a uma vontade maior parece ter lugar mesmo perante os olhos dos espectadores.
    É desta capacidade de sofrer fantásticas transformações, que a massa de cores está dotada, na sua subordinação à vontade dum criador que se chama Saulo Silveira e cujas obras são particularmente atraentes e inimitáveis.
    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC

    A exposição estará patente ao público
    até 30 de abril de 2009
    com o seguinte horário:
    de segunda a sexta,das 13h às 20h,
    sábado, das 15h às 20h,
    domingo,por marcação tm 96 267 05 32

    Tuesday, February 24, 2009

    Zoran ||| Orhan Tekin e Ana Clara Bárbara no MAC

    O MAC-Movimento Arte Contemporânea

    inaugura a mostra de pintura de

    Zoran

    Global Make Up Program

    no dia 3 de março de 2009,

    terça feira pelas 19 horas

    no Espaço'MAC Av. Álvares Cabral 58/60 em Lisboa.

    A exposição estará patente ao público até 3 de Abril
    com o seguinte horário:
    segunda a sexta das 13h às 20h
    sábado das 15h às 19h
    domingo, por marcação
    tm 96 267 05 23




    ZORAN

    GLOBAL MAKE UP PROGRAM



    Em Global Make-Up Program, não há paixões.

    A ruína desmantelou os sonhos e contaminou a acção.


    Zoran, o encenador, instalado no seu labirinto social, dele não participa. Inquieto, inquisidor, reconhece a trama e põe em cena a vida corroída por um desespero surdo, num sentimento de angústia entranhada e irreversível, transportando à sua caracterização a fragilidade física e moral de uma sociedade corroída por vícios e à deriva num denso simulacro que conduz a uma aparente paralisia dos seres, enclausurados no seu próprio grito.
    Verdades extraídas da angústia existencial de saber-se no caos, na ruína, no labirinto universal em que a humanidade mergulhou.
    O grotesco constrói-se.

    De certo modo gigantesco, como se as coisas que se movem à margem da razão humana adquirissem proporções descomunais.

    E a distância entre um modelo de virtudes e os hábitos comuns revela os vícios dos homens escondidos por uma maquilhagem social solidificada na face ao ponto de ludibriar o próprio “eu”, incapazes que estão para se defrontarem a si mesmos.
    Assim, o MAC – Movimento Arte Contemporânea dá as boas vindas a Zoran, pela sua primeira mostra neste espaço, não querendo deixar de chamar a atenção para a forma total com que o artista interpreta e desmistifica a máscara que cada um de nós transporta diariamente para o exterior.
    Global Make-Up Program é um entendimento globalmente vivido e vivenciado por cada um de nós quotidianamente, em que cada indivíduo é, talvez, o seu único passivo, acrítico e impúdico espectador.

    Álvaro Lobato de Faria



    ORHAN TEKIN

    ANA CLARA BÁRBARA
    "ELEGIA E ODE"
    A exposição inaugura a 3 de março de 2009
    pelas 18.30 horas
    no Espaço'MAC
    Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa
    e estará patente ao público até 27 de março de 2009


    Ana Clara Bárbara_Orhan Tekin

    Elegia & Ode

    Esta é uma exposição que reúne os trabalhos de dois artistas, Ana Clara Bárbara e Orhan Tekin.
    Encontraram-se a fazer pesquisa em escultura em Edimburgo, Escócia, e esta é a primeira exposição em que exibem juntos. O trabalho apresentado foi maioritariamente concebido especialmente para esta exposição e desenvolve temas que os artistas exploram habitualmente. Exibem-se peças escultóricas, objectos apresentados no espaço da galeria, colocados sobre mesas e plintos, e também peças de parede. Neste caso particular as peças foram produzidas em Edimburgo e Ankara, finalizados e montados no espaço da galeria MAC – verdadeiramente transportados na mala.

    O trabalho de Orhan Tekin, elegia, reflecte sobre a arte como forma de alcance da verdade, da arte como reveladora da natureza tão sublime como sublimadora, do sofrimento, da dor, do fracasso. O artista adopta a visão nietzschiana da arte como aquilo que permite às pessoas existirem e manterem-se seres morais quando confrontadas com o sofrimento.

    Nesta perspectiva, Orhan Tekin usa materiais como o carvão, a cinza, a renda, loiça, objectos de uso quotidiano acessíveis aos mais desfavorecidos da sociedade – a admiração que Tekin tem pelos pobres desempenha um papel fundamental na sua motivação como escultor. Inspirando-se em aspectos da sociedade turca, no meio da qual cresceu e onde vive, Orhan combina materiais fazendo surgir objectos que, criados a partir de elementos familiares, fazem aparecer outros, não antecipados.

    Orhan admira a capacidade transformadora que os pobres têm e assim elege-os heróis pela capacidade que possuem em criar as ferramentas de sustento e uso diários a partir dos parcos materiais que lhes são acessíveis. Tekin reconhece na limitação de recursos a força impulsionadora que permite aos menos favorecidos libertarem-se dos valores cansados e convencionais do resto da sociedade. Nas peças exibidas, Orhan Tekin reproduz o processo criativo e transmutador daqueles que lhe conferem inspiração.

    Ana Clara Bárbara faz uso de tecidos e panos com usura, ouro e tinta de caneta, criando peças que sugerem espaços amplos, abertos. O seu trabalho aponta para zonas que ficaram vagas quando a matéria mais densa se sublimou. Nos anéis inseridos um no outro, o ponto focal é o espaço deixado vazio pela partida dos corpos que formaram o objecto, porém o local de interesse é a área onde os corpos se encontraram e assim deixaram uma impressão durável. Nas peças de parede a artista apresenta contornos de crianças, suspensas sobre galáxias e constelações mas simultaneamente adormecidas em lençóis de berço terreno. Parece deste modo sugerir a relação sincrónica entre a Terra, o espaço sideral e a existência humana. É assim introduzido um olhar de leveza, donde a sua proposta ser de ode.

    Para ambos os artistas é importante a noção da revelação da interioridade. No caso de Orhan Tekin, a revelação da matéria que se forma e transforma no segredo do interior da terra, longe da visão clara da Natureza, o carvão. Ou a cinza, âmago leve que fica quando a combustão retira aquilo que constitui a parte dura da matéria. No trabalho de Ana Clara Bárbara – os tecidos re-usados, o ouro metal que não se corrompe, a escrita como continuidade do pensamento e da comunicação da experiência – a revelação é a da presença daquilo que não é inflamável ou do inflamável que persiste, a escolha daquilo que não se deteriora. A passagem humana que resiste, que se multiplica e que se expande.

    A mostra estará patente com o seguinte horário:

    segunda a sexta das 13h às 20h

    sábado das 15h às 19h

    domingos,por marcação

    tm 96 267 05 32

    Thursday, January 15, 2009

    Jaime Murteira || Alfred Opitz - novas exposições a inaugurar no MAC

    Pintura de Jaime Murteira

    no MAC




    Nascido em 1910, Jaime Murteira foi um seguidor tardio do movimento naturalista português.
    Discípulo de Frederico Aires e António Saúde obteve, em 1954, a primeira medalha em pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e mais tarde o prémio Silva Porto do Secretariado Nacional de Informação.
    A sua obra, destaca-se sobretudo pelas paisagens outonais e melancólicas do Ribatejo, pelas “manchas” espatuladas do litoral algarvio e pelas rústicas ruas de aldeias minhotas, constituindo um acervo de referência do Naturalismo Português.
    A retrospectiva que o MAC agora apresenta, surge no âmbito de destacar mais um grande valor da história da pintura portuguesa, disponibilizando ao público parte da obra do autor, falecido em 1986.



    A mostra inaugura a 3 de Fevereiro de 2009,
    pelas 19 horas no

    MAC- Movimento Arte Contemporânea ,
    Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa.


    A ver de segunda a sexta das 13h às 20h,
    ao sábado ,das 15h ás 19h,
    ao domingo por marcação tm 962670532




    ALFRED OPITZ


    no MAC




    "Quadraturas" é o nome da mais recente exposição de pintura que Alfred Opitz apresenta ao grande público no MAC – Movimento Arte Contemporânea, a partir de 3 de Fevereiro, e onde mostra as variadas facetas da sua actividade artística ao longo dos últimos três anos.
    A qualidade de matérias que imprime aos seus trabalhos, a força expressiva das suas formas, o poder tão comunicativo do seu mundo cromático, são elementos da pintura de Alfred Opitz que lhe vincam personalidade inconfundível.
    Inserindo-se na corrente do Simbolismo europeu, investe em composições minuciosas que adoptam uma imagética de solidão, de silêncio e de incomunicabilidade, por vezes povoadas de figuras detidas numa suspensão misteriosa.
    Para além do que revela, Alfred Opitz dá-nos, na invenção da forma e nas conjugações cromáticas, a mensagem da angústia e de esperança que simultaneamente interferem e participam no horizonte do nosso tempo.
    Pode dizer-se que nas obras de Alfred Opitz há um sentido de arte total, pois concilia o estético e humano nas suas mais profundas implicações e consequências.
    O certo é que, através de um jogo já habitual de alusões, ocultações, associações, fragmentações, cria agora uma nova vertente original da sua linguagem plástica, que apela não só à experiência existencial do espectador, como também, e sobretudo, à sua participação na criação da obra de arte.
    A série de obras, diversas na feitura mas unas na concepção, confirmam expressivamente o talento, o bom gosto e, sobretudo, a alta qualidade técnica do pintor.





    Alfred Opitz

    "Quadraturas"


    Inaugura a 3 de Fevereiro pelas 19 horas
    ficando patente até 27 de Fevereiro de 2009
    no Espaço MAC Av. Álvares Cabral 58/60 em Lisboa

    A ver de segunda a sexta das 13h às 20h,
    ao sábado das 15h às 19h,
    domingo,por marcação tm 962670532