



Dr. Luís Costa, Mary Teixeira da Motta, Kate de Rothschild e Dr. Álvaro Lobato de Faria
Dr Álvaro Lobato de Faria oferecendo a Kate de Rothschild 
Dr Luís Costa, Kate Rothschild ,Dr. Álvaro Lobato de Faria
e Mary Teixeira da Motta, tendo em fundo um quadro de Nelson dias
Mary Teixeira da Motta recebendo uma medalha da autoria do Esc. João Duarte


Álvaro Lobato de Faria no discurso de abertura

A Pintora Ana Tristany com Ana Paula Passos e General Raúl Jorge Passos, Director do Colégio MilitarRed wood
"janela de inverno"III
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"Alegria"
Pintora com vocação, Tereza Trigalhos, tem a consciência do rigor, da técnica e da matéria no contexto da pintura, onde a figura do ser humano, é a essência da sua mensagem.
Basta o mais ligeiro olhar sobre as suas obras, para detectar as fontes do seu ideal estético.
Os seus rostos, por vezes encobertos e indefinidos no acabamento, ou acentuados com traços fortes e marcantes, situam-se no limiar, na tangência do intraduzível real e conduzem-nos de imediato ao mundo próprio da artista, que é o de expressar o lado telúrico do homem e da mulher.
Não há a procura de um abstraccionismo gratuito ou de qualquer subjectividade rebuscada, mas sim a tentativa de definir plasticamente as personalidades mutáveis do inconsciente colectivo.
Numa primeira fase, o observador, pode ver reflectida nalgumas expressões, uma certa angústia, em perfeita simbiose com algo do quotidiano da nossa época.
Tereza Trigalhos traduz com pujança incomum, a nitida visão pessoal, o definível nas transmutações diárias, daí encontrarmos uma certa coerência nas suas personagens subtilmente diferenciadas através de cores incisivas e dinâmica de traços.
Nalguns momentos apercebemo-nos que a artista se contesta e, o uso das tonalidades utilizadas nas suas telas marcam essa deflagração íntima.
Tereza Trigalhos endossa linhas bastante viris, nada eufemistas, visíveis, sobretudo, na maneira vigorosa de sublinhar o desenho, onde se nota, uma vontade e um querer impositivo.
A artista necessita pois, de uma grande amplitude para produzir, uma notória ânsia de liberdade que marca a sua excelente pintura: luz, ar, espaço, são fundamentais.
Uma arte que se impõe pela franqueza e pela vontade interior, conseguindo um conjunto estético, cultural e histórico impressionante, pela qualidade, oportunidade e volume.
Através do seu trabalho Tereza Trigalhos é capaz de expressar as inquietudes, a criatividade nos universos líricos, trágicos ou dramáticos que constrói.
Nas suas telas retomadas com segurança e contemporaneidade, faz séries de oferendas visuais inquietantes.
Imagens de forte impacto visual, formas recorrentes, a alimentar um desejo de comunicações construtivas/destrutivas, que, parecendo figurativas, mas ultrapassando com mestria essa fronteira, transportam em si a enorme força que só é possível quando o que está em causa é a pintura na verdadeira acepção da palavra e á qual Tereza Trigalhos tão sabiamente se dedica.
Álvaro Lobato de Faria
Director Coodenador do MAC
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a ver:
5ªfeira,20 de Novembro de 2008
Entrevista com
António Inverno
Cartaz das Artes TVI
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O MAC

"Composição I"
"Sala dos Poetas"
A mostra estará patente patente ao público até 28 de Novembro de 2008,
de segunda a sexta das 13h às 20h,
sábado das 15h às 19h,
domingo,por marcação Tm 96 267 05 32
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texto de apresentação
António Inverno pintor, é um construtor de imagens.
Um reinventor que utiliza sabiamente, os ingredientes como aqueles que habitualmente (re)conhecemos nos registos pictóricos mais variados.
Um construtor de imagens que utiliza e conjuga na sua mesa de trabalho as emoções e as mais variadas relações perceptivas e sensoriais, não se limitando à simples colagem de géneros, antes digerindo e conjugando plasmas visuais, aptos para estabelecer uma outra via do entendimento, do seu entendimento, construindo em constelação galáctica um universo muito próprio.
E aqui é preciso referir que falamos de um factor cognitivo, ao nível do entendimento das coisas. É também uma alusão aos fragmentos da memória que a um tempo visitamos.
Escrever sobre este Homem é reinventar também a felicidade de poder discernir as dimensões estéticas e poéticas que um artista pode atingir, resolvendo dentro de si próprio, e por si, contradições que lhe serão alheias.
Quando em 1993 o conheci, estava já consolidado entre o meio artístico nacional e internacional como o grande serigrafo português. De facto, o meio artístico era presença assídua do seu atelier, pólo dinamizador da vida cultural lisboeta.
Do Bairro Alto, do Chiado, da Bica, e de tantos outros cantos da cidade acorriam à oficina da Rua da Emenda novos e consagrados, unidos num ambiente de partilha que o António Inverno sempre soube alimentar, onde o trabalho se transformava em tertúlia, em lição, para aqueles que saídos da Escola de Belas-Artes ali vinham à procura do conselho do Mestre.
Nas lições que deu, António Inverno cresceu como Homem, cresceu como serigrafo, marcando gerações de tendências várias, divulgando e difundindo o trabalho de dezenas de artistas que hoje marcam o panorama das Artes Plásticas Portuguesas.
E cresceu como pintor.
Dessas memórias soube retirar o essencial para desenvolver um trabalho de indagação constante. Indagação plástica, cromática e formal, mas indagação humana também, a marca que mais o distingue de tantos outros artistas que embrenhados no seu mundo não assistem ao mundo que os rodeia.
António Inverno é um “espectador” atento. E suga de tudo quanto o envolve a energia criativa para construir uma expressão plástica autónoma num percurso feito pelas memórias que o ligam às raízes desse Alentejo de menino, da festa dos touros e das vacadas, da festa brava que vem também encontrar em Lisboa e tantas vezes eternizou, pelas memórias que o ligam à velha António Arroio onde aprendeu a ser o melhor, pelas memórias de gerações inteiras que viu crescer, que viu consagrar e viu tranformarem-se nos grandes artistas portugueses do século XX.
Atento. E singular no companheirismo e generosidade para com aqueles que procuraram o seu talento, António Inverno é, no fundo, um contador das “estórias” da arte portuguesa, o mestre dos grandes.
Passados que serão os passos da vida, ficará sempre a marca deste Homem em todos e em cada um de nós.
Álvaro Lobato de Faria