créditos

Direcção, organização e redacção
Álvaro Lobato de Faria e Zeferino Silva

Monday, June 8, 2009

MAC-Movimento Arte Contemporânea



15ºaniversário




Troféu da autoria do Esc. João Duarte




Álvaro Lobato de Faria

Director coordenador do MAC


Zeferino Silva-Director do MAC


O MAC-Movimento Arte Contemporânea inaugura no próximo dia 30 de junho, terça-feira, pelas 18.30 horas , a exposição colectiva de Artes Plásticas comemorativa do 15º aniversário MAC.



Nesta inauguração serão atribuidos os MAC'2009 (peça escultórica concebida pelo escultor João Duarte) aos artistas, Imprensa e entidades que mais se destacaram culturalmente nos nossos espaços durante o ano de 2008/2009.


A entrega dos Prémios MAC'2009 decorre na Av. Álvares Cabral , pelas 18.30 horas, seguindo-se a inauguração da Exposição em simultâneo, na Rua do Sol ao Rato,9C e na Av. Álvares Cabral, 58/60, em Lisboa




de amore (Maria João Franco)


noite estrelada(Santos Lopes)



Nesta colectiva serão expostas obras de



PINTURA


Alfred Opitz Ana Tristany André Lothe António Inverno Arpad Szenes Artur Bual Cabrita Reis Cruzeiro Seixas Chagall Fernando d'F. Pereira Figueiredo Sobral Francis Smith Gil Teixeira Lopes Hilário Teixeira Lopes Jaime Murteira Júlio Resende Lanskoy Lourdes Leite Luísa Nogueira Malangatana Maria João Franco Mário Cesariny Matilde Marçal Miguel Barros Roberto Chichorro Rocha de Sousa Rogério Amaral Saulo Silveira Tereza Trigalhos Vieira da Silva Zoran



ESCULTURA


Abraham Dubkovsky Alberto Gordillo Alejandra Majewski João Duarte Manuel Pinto Santos Lopes



FOTOGRAFIA

Rosa Reis


Joalharia

Alberto Gordillo


Medalhística

João Duarte


*mais artistas em acervo


texto do catálogo
Desenvolver este projecto tem sido, ao longo destes 15 anos, uma tarefa árdua que exige sistematicamente constantes e desinteressados esforços.
Assim, apostamos nestes últimos anos, sobretudo neste último, que agora comemoramos, na conquista de novas parcerias, reforçando não só as já estabelecidas, mas alargando a nossa área de trabalho e desempenho, recriando a nossa equipa, de forma a estabelecer parâmetros que possam responder a quaisquer desafios no campo dos projectos internacionais em curso.
É neste campo que se situa e desenvolve o nosso projecto de trabalho, no sentido de divulgar os diversos valores que se situam no campo da linguagem universal das artes, como factores de conhecimento e de progresso socio-cultural dos povos.

É este o papel continuado do MAC – Movimento Arte Contemporânea, que, acolhendo nos seus espaços as várias formas de expressão daqueles que dão forma e conteúdo àquilo a que hoje chamamos ”arte”, os artistas que nos seus modos vários de apresentação e solução plástica nos deixam ver para lá dos mundos constantes e rotineiros que rodeiam o nosso quotidiano, permitindo-nos penetrar nos seus universos íntimos, conectando-nos assim a outras realidades e formas de expressão que marcarão decerto a viragem dos saberes, tecnologicamente aceites, áreas porventura mais enriquecedoras no devir das criações futuras.

Aproveito para apelar à união entre os artistas, vector fundamental para o bom funcionamento e divulgação de todo o esforçado trabalho que o MAC tem vindo a desenvolver, tanto de forma unilateral, como nas várias parcerias já realizadas.

A criação do novo Prémio MAC’2009 Hilário Teixeira Lopes, alargará ainda as possibilidades de destacar outros valores que connosco trabalham, incentivando, não a competição, mas o arejamento das formas do agir e do criar.

Ainda o Concurso de Medalhística que pela primeira vez propusemos aos artistas do Volte Face – Medalha Contemporânea, criará mais um campo de interesse e divulgação daquela disciplina artística, pensando nós, ser um pólo positivo no alargamento dos interesses gerais.

Regozijamo-nos com a convicção de termos vindo a desenvolver a nossa actividade, cumprindo os nossos objectivos, e com o facto de ter conseguido para o MAC e para os seus artistas o lugar de destaque que hoje tem no panorama das artes plásticas.

Nesta exposição em que comemoramos o 15º aniversário do MAC – Movimento Arte Contemporânea, serão atribuídos, não só, os MAC’2009 (peça escultórica da autoria do Professor Escultor João Duarte), aos artistas que nos vários níveis e escalões, mais se destacaram no MAC durante 2008/2009, o recém-criado MAC’2009 Hilário Teixeira Lopes, os prémios de Medalhística para as três melhores respostas ao concurso agora proposto, bem como os MAC’2009, aos órgãos de comunicação e divulgação, instituições e personalidades particulares ou colectivas, que mais o apoiaram durante este mesmo período.

A todos os que connosco têm acompanhado, interiorizando estes projectos de trabalho e se têm rejubilado com esta nossa caminhada, deixamos o convite para que se juntem, uma vez mais à nossa festa, a festa da arte!
Dedicamo-vos, sempre, estes eventos com toda a amizade.

Álvaro Lobato Faria
Director Coordenador do MAC
Zeferino Silva
Director do MAC


As mostras podem ser visitadas de segunda a sexta,das 13h às 20h, sábado,das 15h às 19h,

domingo, por marcação Tm 96 267 05 32

Estamos encerrados de 1 a 31 de Agosto para férias.
Reabrimos no dia 1 de Setembro

http://www.movimentoartecontemporanea.com/

Saturday, May 9, 2009

Pintura,Fotografia e Medalha Contemporânea no MAC



O MAC-Movimento Arte Contemporânea
www.movimentoartecontemporanea.com
inaugura três exposições no dia 2 de Junho pelas 19horas



"Karingana-estórias de era uma vez"



pintura de Roberto Chichorro






na Av. Álvares Cabral,58/60 em Lisboa



Roberto Chichorro com esta sua exposição “KARINGANA – estórias de era uma vez” revela-nos o fundamento da sua estética e da sua poética, a essência da imagética formal das suas raízes.
Marcas da vida nas memórias e no registo, estas telas dão-nos a ideia possível das suas referências.
Pintando, Chichorro remete-nos para o seu tempo passado, para os seus lugares de eleição, como se a vida se fixasse em cada modo, em cada cor, em cada amplexo da forma.
Forma que nos faz sentir a estória de ritos e mitos em que somos modelados e fixados numa sinalética que é o paradigma total da nossa/sua realidade.
Assim, paradigmática é a obra de Roberto Chichorro, na obediência, inconsciente ou subconsciente, com que associa os símbolos que revelam a forma total da sua africanidade, na poética ritualesca em que se respira a memória da sua vida vivida.

Como referimos no texto da sua mostra “Tempo de noivamentos com flores de ser jacarandá” a pintura de Roberto Chichorro situa-se num tempo essencial, espacial, e rítmico de um “eros” onirico e musicalizado, marcada por um colorismo emanente de mitos e ritos que se situam nas suas raízes e referências, na ingenuidade possível de um tempo escolhido entre a memória e a poesia”


Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea






  • "ESPAÇOS-experimentação do olhar"

  • Fotografia Rosa Reis



    • na Rua do Sol ao Rato 9 C em Lisboa



    Rosa Reis é uma artista no sentido exacto da palavra, pela alegria que transmite aos outros, pela sua generosidade, pela forma idealista como encara a sua arte e pela originalidade e perspicácia como capta os melhores ângulos de um rosto, o sentido de um gesto, de um movimento ou de vários aspectos do quotidiano, transformando a realidade através de um modo de ver, de visualizar que é o seu.

    Com as imagens que Rosa Reis nos oferece, podemos identificar o seu modo de estar e sentir, os seus motivos, a forma mágica como ela integra a realidade dos objectos, a sua presença num mundo continuado e poético que é a sua obra.

    Um olhar perspicaz vocacionado para a captação intemporal do mundo, das pessoas e das coisas, dos espaços e dos tempos, Rosa Reis capta a magia do momento incomensuravelmente mínimo, em que o seguinte se desiguala por força do tempo que vivemos, insertos que somos no nosso universo cósmico.

    A fotografia, distantemente das outras artes bidimensionais, fixa o momento exacto.
    Tentativa usada pelos impressionistas, no sentido de recolher o instantâneo de luz /cor de cada momento. Longe do impressionismo e do realismo em termos estéticos e mesmo descritivos, a inclusão da fotografia como meio moderno surge como sintoma de ruptura e fim da modernidade e, paradoxalmente, dos fundamentos do pós-modernismo.

    A imagem fotográfica tem a capacidade de reter presenças que de algum modo sirvam, por um lado para o reconhecimento do real e sua apreensão como a mágica representação de momentos de memória.

    Entra por este meio no universo das artes, da arte, talvez ao nível da simbólica representação pré-histórica para a apreensão do objecto, tornado objecto de arte pela evolução dos conceitos.

    Tomemos esta analogia como se a fotografia fizesse parte ainda da antropologia das memórias registadas.

    Mas, quando a fotografia ultrapassa o real e penetra um mundo filtrado pelo fotógrafo, entra já conceptualmente no campo da arte como fazendo parte integrante dos objectos sujeitos à manipulação do artista, surgindo um objecto-outro posto em acto pela mente criativa do artista.

    Em Rosa Reis, ao longo da sua obra publicada, sentimos esse estímulo de registos e comparações do homem em habitats vários, reformulados e inseridos em contextos diversos, dando-nos por vezes a dimensão de escalas e situações em que o homem se ultrapassa a si próprio; noutras séries de obras oferece-nos o inquietante e palpitante espectáculo do frenesim actuante, como se o som e o movimento parassem no tempo, para nos fazer chegar o sentir e o respirar daquele momento.

    Assim, é necessário chamar a atenção para o facto de a obra de Rosa Reis não ser a imagem em geral, mas sim o modo como aquela foi concebida e realizada através de um dispositivo técnico elemento intermediário e interfactual entre Ela e o mundo.

    No entanto e apesar desta demarcação, é evidente que na sua condição real de imagem, depende ainda de outras relações.

    A mais problemática será sem dúvida do ponto de vista histórico e ontológico que a imagem assinala como uma ferramenta de representação realista que Rosa Reis na sua imensa qualidade delata, pela formulação interna que determina a sua forma específica de aprender a realidade, dá-nos essa mesma realidade como sua.

    É por esta qualidade enorme que Rosa Reis nos apresenta agora no MAC – Movimento Arte Contemporânea esta exposição e nos oferece aquilo que tomou para si no tempo e no momento como corpo e alma das coisas ali representadas.


    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea




    ANVERSO REVERSO - 5

    João Duarte/Medalha Contemporânea

    • na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa

    Apocalypse - bronze patinado


    Ambivalência I - bronze patinado





    Ambivalência II - bronze patinado



    Temptation - bronze patinado



    As maneiras segundo as quais os homens são capazes
    de competir pela superioridade são tão variadas
    quanto os prémios que são possíveis de se ganhar(1)



    Homo Sapiens / Homo Faber / Homo Ludens

    O carácter de ficção é um dos elementos constitutivos da obra de João Duarte.
    É coisa muito séria e necessária, além de ser reclamado como um “direito de autor”.
    Os jogos e os “brinquedos” fazem parte da vida do João tanto quanto ele vive num mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonho, onde realidade e faz-de-conta se confundem. “Brincar” está-lhe na génese do pensamento, da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo.
    Enquanto o “jogo” dura, as regras que regem a realidade quotidiana ficam suspensas. E é assim que tem de ser.
    O João é o medalhista que brinca. O Homo Ludens (2)
    de Huizinga que aprimora a capacidade lúdica como uma categoria absolutamente primária, tão essencial quanto a fabricação do objecto ou o raciocínio que lhe antecede.
    Dá forma a mentefactos, objectos ou representações mentais de coisas, situações, ocorrências externas e vivências interiores conscientes ou emocionais.
    Como um verdadeiro microcosmo, a obra do João Duarte estabelece-se como uma realidade fascinante, diversa da arte contemporânea, possuidora de tempos, espaços, regras, valores e objectivos específicos.
    É este o sentido, a forma e o modo como o João Duarte interiorizou e desenvolveu o papel da medalha como Objecto de Arte, transformando o conceito tradicional de medalha num outro – a medalha como Objecto Lúdico. Objecto de conhecimento na relação que estabelece com o fruidor que dele participa, captando-o segundo as formas adquiridas à priori e as categorias inatas ao intelecto.

    Se tem um pai, também há-de ter mãe

    Estava-se no final da década de 70 na então Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, à cidade de São Francisco. Emergia um esforço encetado pelo Professor Escultor Euclides Vaz no sentido de incrementar a medalha como tecnologia da licenciatura de Escultura.
    Entre os primeiros curiosos, o João.
    A medalha situava-se agora entre a ordem e a desordem, constituindo-se já como um instrumento de uma nova sociabilidade, com limitações e oferecimentos.
    Do emaranhado de experimentações iniciais ressaltavam agora, de uma forma mais ou menos clara, as primeiras propostas concretas realizadas ao longo da última década – José Aurélio, Irene Vilar, José Rodrigues, Charters d`Almeida, José João Brito ou Clara Menéres aventuravam-se a desbravar caminho, entre tantos outros.
    Aparentemente, a medalha “jogava-se” com uma realidade que se regia por regras convencionais, convencionadas e racionais, provavelmente razoáveis e aceites por todos os intervenientes. Mas no João gerava emoção, excitação e fascínio.
    Apesar do seu regramento, a medalha manifestava-se imprevisível, abria uma brecha, um intervalo no quotidiano, no “sério”, abria um leque de possibilidades, um tipo moderado de loucura, que determinava a carga intensa e múltipla de significados que se propunha desenvolver.
    Transcendia a finalidade e o sentido comemorativos, conferindo-lhe uma carga “festiva”.
    Parentescos à parte, com relação ao estudo de um amplo conjunto de comportamentos que inclui as primeiras experimentações plásticas, João Duarte pode ser considerado como o primeiro a encetar esforços no sentido de estabelecer uma praxis no campo da medalha contemporânea, dependente, exactamente, da modalidade ou característica lúdica que lhe serve à argumentação.
    De “menino bonito” a “enfant terrible” da medalhística portuguesa, faz parte da sua história por representar uma conquista fundadora. Só por isso tem direito ao seu lugar.
    A par dos avanços técnicos, estético e até culturais que materializou, o que mais impressiona é que ainda hoje, mais de duas décadas passadas, quando tudo mudou, o João se mantém firme, testemunhando uma vanguarda que o tempo não apaga.

    Abrir caminho é tarefa para os audazes. E o João faz parte dessa classe “dirigente” que olha para a frente e projecta o futuro. A sua obra tem sede própria – ensaia composições, recorre a materiais variados, aplica a pluralidade das cores.
    Misturando o bronze com outros materiais, cria peças com um novo sentido para o fruidor, podendo este intervir, desagregando e reconstruindo o objecto, como se de um puzzle se tratasse.

    Traçar e seguir um rumo…

    Como no desenrolar de uma paixão, as certezas fortaleciam-se nas conquistas que alcançava. Os primeiros prémios, o reconhecimento nacional, a primeira internacionalização (em 1988, no XXI Congresso Internacional da FIDEM, em Colorado Springs, por recomendação do gravador Vasco Costa).
    A medalha apresentava-se como um campo cada vez mais complexo e fascinante, com maior ou menor nitidez, maior ou menor ocultação. Uma aparência entendida como aquilo que parece ser, mas que possibilita qualquer coisa de diferente e até de oposta.
    Na década de 90, logo após a aposentação do Professor Hélder Batista, assume a regência da cadeira de Medalhística na então Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e traça o rumo para as gerações vindouras. Um rumo que convoca de imediato duas premissas de base: a diferença e a complementaridade.
    Uso, transformação, recriação – o abandono de preconceitos amarrados a uma noção erudita, elitista, virtuosa e redutora da medalha.
    A estandardização, aos poucos, dá lugar à aspiração de originalidade. A busca de objectividade extrema abre lugar à inquietação da subjectividade que determina a sua carga intensa e múltipla de significados – a produção de sentido.
    O João Duarte levou as velhas e novas gerações de escultores a interessarem-se pelo estudo da medalha enquanto obra de arte, inculcando-lhes a ideia de liberdade de criação de um objecto que pode ser manipulado de uma forma diversa, não forçosamente como sinal comemorativo de algo, mas sim, como objecto com lugar próprio e bem definido no campo da universalidade da arte.
    Costurado pelo chamado “espírito desportivo”, capaz de banalizar vitórias e derrotas ao sustentar a máxima “o importante é participar”, nasce o primeiro grupo organizado de medalhistas portugueses – ANVERSO/REVERSO. Na sua composição fundadora, os nomes de Hélder Batista, João Duarte, José Simão, Paula Lourenço e Vítor Santos articulavam-se numa espécie de rede de fraternidade reunida, literalmente, em torno de uma mesa de restaurante.
    Medalhas e problemáticas teórico-práticas à parte, o verdadeiro “espírito de grupo”, inicialmente alicerçado numa ética que partia da liberdade voluntária dos seus membros e impunha a igualdade de oportunidades e condições, viria a manifestar-se numa forma de ordenação providencial, traduzida por uma outra máxima - “que vença o melhor”. Situação que envolvia a necessidade de afirmação de unidade territorial, vaticinando o verdadeiro clamor concorrencial que lhe estava na génese, quem sabe se pelo impulso da competição, se pelo prazer do embate.
    A rigor, os jogos podem ser sérios. Situados entre as actividades regradas e concretas que participam da sensatez. Mas a capacidade de jogar conforme as regras combinadas não é inerente a todos. Depende de certos princípios exteriores ao próprio jogo, como honra, honestidade e bom-tom.
    Que vença o melhor, pois então!



    É necessário que ele cresça e que eu diminua.(3)


    A dupla face do João

    No Cristianismo medieval, as antigas festas solsticiais em honra de Baco, Saturno ou Jano (4)
    , o deus de duas faces, tornaram-se nas festas dos dois Joões – Batista e Evangelista – celebrados nas proximidades dos solstícios de Inverno e de Verão.
    E apesar de não existir nenhuma relação etimológica entre os dois nomes, não podemos deixar de nos questionar se será puro acaso a semelhança fonética entre Jano e João.
    Sendo Junho o mês das sanjoaninas, manifestações mais significativas das festividades populares, que melhor altura para comemorar o João?
    Embora não possamos ignorar a perspectiva mais plural e elástica da “concorrência”, na fase de construção paradigmática em que a Medalhística se encontra actualmente, o programa do João Duarte apresenta-se como o mais estimulante.
    Verdadeiramente inovador, medalhista de referência, João Duarte criou como ninguém antes nem depois, um outro estatuto para a Medalha, integrando-a de uma forma definitiva no panorama das artes plásticas portuguesas.
    Adoptando uma perspectiva ampla, nas suas variantes ideológica, formal e pedagógica, que lhe permite melhor agarrar a complexidade e heterogeneidade do campo operativo, não corre riscos de se perder num horizonte sem fronteiras mínimas, recorrente a pequenas imitações, simbólicas ou padronizadas de multiplicação ad infinitum.
    Eficiência e honestidade. A dupla face do João. Conta o que está e os que estão e à sua volta está uma “movida” imparável que lhe estimula a criatividade. Alimenta-os e alimenta-se deles.
    Com o VOLTE FACE – Medalha Contemporânea(5)
    (actual Secção de Investigação que coordena na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) comemorou já as bodas de estanho. Ainda não é prata, ainda não é ouro. Mas o estanho, maleável e sólido, não oxida facilmente e é resistente à corrosão.
    Desde a fundação do MAC, muito próximo dos 15 anos de existência, que o João Duarte tem sido um verdadeiro Amigo e um colaborador activo constante, expondo com regularidade o seu trabalho de escultura e de medalha, contribuindo também, deste modo, para o prestígio do MAC – Movimento Arte Contemporânea.
    Nesta exposição, ANVERSO REVERSO-5, assumida como símbolo da expurga a fazer neste campo plástico, João Duarte afirma o papel de mestre que lhe cabe como medalhista maior que é, como artista que assume de corpo inteiro o lugar que lhe compete, cuja obra desenvolveu, repartiu e frutificou neste esplêndido conjunto de medalhas que agora nos apresenta.


    [1] Huizinga, Johan: Homo Ludens Perspectiva: São Paulo, 1999, p.119
    [2] Op. cit
    [3] João; 3: 30
    [4] A propósito de Jano v. Teixeira, José; “A Dupla Face de Jano”, in ANVERSO REVERSO, Lisboa: INCM, 2009
    [5] A propósito v. Duarte, João; VOLTE FACE – medalha contemporânea – 10 ANOS, Lisboa: Centro de Investigação e de Estudos Volte Face – Medalha Contemporânea, 2008; pp.5-6.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea


    • As mostras podem ser visitadas até 26 de Junho de 2009

    de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado,das 15h às 19h
    domingo, por marcação Tm 96 267 05 32


    Em http://www.movimentoartecontemporanea.com/
    poderá encontrar toda a informação sobre o
    MAC-Movimento Arte Contemporânea

    Friday, April 24, 2009

    Lourdes Leite e Fernando d'F.Pereira no MAC

    O MAC-Movimento Arte Contemporânea
    inaugura mais duas exposições no dia 5 de Maio pelas 19horas
    "Incursões" de Lourdes Leite
    na Av. Álvares Cabral,58/60 em Lisboa
    e "Continuação " de Fernando d'F. Pereira
    na rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa
    ambas as mostras podem ser visitadas de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado,das 15h às 19h
    domingo, por marcação Tm 96 267 05 32

    [NOTA: no nosso site

    http://www.movimentoartecontemporanea.com/

    poderá encontrar toda a informação sobre o

    MAC-Movimento Arte Contemporânea]

    As exposições estão patentes até 29 de Maio


    LOURDES LEITE
    "INCURSÕES"

    Amadeu

    Mondrian

    Toulouse-Lautrec

    Lourdes Leite tem um dos mais fecundos percursos no panorama das artes plásticas portuguesas. A sua pintura, extremamente personalizada, de uma marcante qualidade plástica, assegura-lhe com toda a justiça e sem sombra de dúvida um lugar na “nata” da história de arte portuguesa, que é o patamar dos nossos mestres.
    De uma firmeza técnica excepcional no domínio do seu ofício e na marca pessoal que sempre imprime nas suas telas, Lourdes Leite não se deixou nunca absorver por quaisquer temporais e inconsequentes “modismos”.
    Assim, o rigor e a objectividade com que sempre trabalhou a pintura e a gravura colocaram Lourdes Leite num dos lugares cimeiros da sua geração.
    Por isso mesmo, é com crescente destaque no meio artistico português que o seu trabalho se notabiliza, pela profundidade da reflexão em que se envolve por força de um quotidiano artístico e se enriquece pelo rigor, diríamos oficinal, da sua execução e espiritualidade da sua concepção.
    Pairando sobre a sua obra, uma forte dimensão lírica que só uma artista subtil e refinada como Lourdes Leite tem o dom e o poder de ostentar, pela fluidez da sua linguagem, pela força e encanto da sua evasão e do seu êxtase, faz com que o viajar pela sua obra seja uma fascinante e esplêndida aventura plástica e poética.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea
    2009



    FERNANDO D'F.PEREIRA
    "CONTINUAÇÃO"


    Pica pau



    o linguas




    o do vento




    Estar perante a pintura de Fernando d’ F. Pereira é estar diante de um mundo muito próprio em que a obra se oferece ao fruidor um espectáculo de cor e forma em que estas se autodeterminam para aparência do acaso.
    F. Pereira não se inscreve enquanto criativo no mundo massificado da arte global.
    Antes, dela se distancia na medida em que não se detecta qualquer influência próxima, não pondo de lado contudo o manancial de saber que advém do conhecimento de toda a pintura anterior, desde um Pollock a um De Kooning, passando mesmo por um Du Buffet, tendo contudo sabido traduzir a síntese de todas as correntes estéticas do século XX num modo muito peculiar de operar no campo plástico a sua interioridade pelo prazer lúdico com que manipula os diversos materiais.
    Esse modo de prazer, de um fazer acidental em que formas e figuras parecem surgir do acaso, tornando-se inteligíveis pela forma dinâmica como se relacionam no campo plástico.
    É um jogo de pequenas e grandes áreas que se vão tornando conotáveis ao olhar e capacidade de captação e relação formal, criando uma rede de encenação como que divindades saindo de um plasma inicial. Isto provém da alta técnica de Fernando d’ F. Pereira no uso dos materiais e no tratamento das cores.
    Confirmando o talento e a alta qualidade do autor desta mostra, eis o motivo pelo qual nos sentimos compensados com esta exposição de Fernando d’ F. Pereira agora patente no MAC-Movimento Arte Contemporânea.

    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC
    Movimento Arte Contemporânea
    2009

    Saturday, April 18, 2009

    MAC / a ver até 30 de Abril

    Vão estar patentes até 30 de abril
    as exposições de
    Saulo Silveira
    Av.Álvares Cabral 58/60 em Lisboa
    e
    Miguel Barros
    Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa
    -aguardamos a vossa visita-
    horário:de segunda a sexta das 13h ás 20h,sábados das 15h às 19h,
    domingos por marcação
    tm 96 267 05 32
    ******************
    SAULO SILVEIRA

    Retorno às Origens



    "origem"

    "antologia"


    "ritmos"

    "ritos"

    "universo poético"

    "caminhos"

    "paralelos"

    "despojado"

    "milénio"

    "canções"

    "cantos"

    *****************

    FACES
    Miguel Barros

    "caos das colunas"

    "rua estreita"

    "queimada"

    "protecção"

    "miúdo"

    "máscara"

    "homem velho"

    "gotas de água"

    "espectante"

    "espanto"

    "dona mulher"

    "contemplação"

    "carregando"

    "a caminho"

    " tranquilidade"


    "a olhar por ti"
    __________________________________
    MAC-Movimento Arte Contemporânea
    Lisboa

    Friday, April 10, 2009

    Feliz Páscoa


    Desejando-vos uma


    Feliz Páscoa

    aproveitamos para informar que as exposições



    "FACES" de Miguel Barros ,

    na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa



    e "RETORNO ÀS ORIGENS" de Saulo Silveira

    na Av. Álvares Cabral 58/60 em Lisboa



    se encontram abertas ao público até até 30 de abril de 2009


    com o seguinte horário:


    de segunda a sexta,das 13h às 20h,


    sábado, das 15h às 19h,


    domingo, por marcação tm 96 267 05 32

    Thursday, March 26, 2009

    Miguel Barros e Saulo Silveira no MAC

    MIGUEL BARROS
    O MAC-Movimento Arte Contemporânea
    inaugura no próximo dia 7 de Abril, 3ª feira
    a exposição de pintura de
    Miguel Barros
    "FACES"
    na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa.
    A exposição estará patente até 30 de Abril de 2009.


    A pintura de Miguel Barros, entre as harmonias e as dissonâncias, faz surgir da sua obra o espírito moderno do questionamento formal, a quebra do espelho fácil da realidade, substituído pela emergência de um “mundo interior”, colorido e de formas da alma que traduzem um olhar aguçado sobre a vida e sobre as coisas.
    De ano para ano, Miguel Barros, mercê de uma entrega total à sua arte, a pintura, tem vindo a definir-se tanto pela necessária maturação da sua técnica, como pela feição caracterizadamente pessoal que consegue imprimir a todos os seus trabalhos.
    Essa conquista, em qualidade e sensibilidade plástica, foi-se tornando notória ao longo das inúmeras exposições em que participou, o que justifica o sucesso obtido, passando a ser uma excelente referência para todos nós.
    A sua trajectória artística, mostra-nos com clareza uma ligação fundamental com a pintura. Todo o seu trabalho é como uma caligrafia do espírito, transmissão directa de reflexões, de sentimentos que pouco a pouco se transformaram em matéria, de pensamento plástico.
    As suas obras adquirem uma extraordinária dimensão, para a consciência emotiva, criando um mundo de expressão, movimento e visualidade, onde as linguagens se encontram num místico e misterioso prazer.
    Toda a sua obra confirma, expressivamente o seu talento e sobretudo a sua técnica, através de um estilo próprio, visão original das coisas, concebendo com toda a sua sensibilidade e criatividade, superfícies que só por si, falam e vivem.
    O que Miguel Barros nos propõe nesta sua nova exposição, intitulada “Faces” agora presente no MAC - Movimento Arte Contemporânea, são ideias, pensamentos e conceitos plenos de paixão e energia, contundentes na sua construção e morfologia, uma forma de renovação da arte através de uma obra responsável levada com directrizes dirigidas a deveres artísticos.
    Observando estas suas novas obras, encontramo-nos perante enigmas, fascínios, universos simbólicos para serem apreciados pela meditação.
    O entusiasmo e a verdade que Miguel Barros nos transmite, são o sinal com que eu mesmo me identifico e daí ter conhecido, um grande artista e um excelente companheiro nos campos da imaginação.
    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC

    A mostra estará patente ao público com o seguinte horário:
    de segunda a sexta,das 13h às 20h
    sábado, das 15h ás 19 h
    domingo, por marcação tm 96 267 05 32

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    SAULO SILVEIRA


    O MAC -Movimento Arte Contemporânea

    inaugura a 7 de abril de 2009, pelas 19 h
    na Álvares Cabral 58/60 em Lisboa
    a mostra de
    Saulo Silveira
    "Retorno às Origens"





    O mundo da cor ganha, sem dúvida, como que uma nova forma, coincidindo com o universo artístico de Saulo Silveira.
    No espaço, as formas do micro e do macro-mundo fluem incessantemente coexistindo como elementos de diferentes dimensões, volumes e planos, aludindo as mais diversas configurações.
    Nele coabitam, inevitavelmente, uma parte acidental do infinito saído do caos e uma nova ordem estabelecida pelo artista que escolhe, de entre a multiplicidade vária de combinações, unicamente aqueles motivos orientadores que atraem pela sua novidade e lhe suscitam novas e excitantes associações.
    De um modo semelhante a uma membrana celular, os seus trabalhos permitem-lhe levar a cabo, uma espécie de troca energética com o mundo externo.
    Todas as obras deste seu ciclo, são variações do mesmo motivo paisagístico.
    O cenário de tal tarefa está ligado a uma tentativa de encontrar todas as soluções possíveis que contextualize uma única” ideia” através do enriquecimento da gama de associações com ecos do passado e do presente.
    Saulo Silveira alcança os mais variados e inesperados efeitos utilizando um amplo arsenal de meios pictóricos numa extraordinária adequação a uma finalidade estética e plástica em que a abstracção se impõe como resultado iniludível do testemunho da luta do artista com a tela.
    Uma reincarnação mágica de um caos submetido a uma vontade maior parece ter lugar mesmo perante os olhos dos espectadores.
    É desta capacidade de sofrer fantásticas transformações, que a massa de cores está dotada, na sua subordinação à vontade dum criador que se chama Saulo Silveira e cujas obras são particularmente atraentes e inimitáveis.
    Álvaro Lobato de Faria
    Director Coordenador do MAC

    A exposição estará patente ao público
    até 30 de abril de 2009
    com o seguinte horário:
    de segunda a sexta,das 13h às 20h,
    sábado, das 15h às 20h,
    domingo,por marcação tm 96 267 05 32