créditos

Direcção, organização e redacção
Álvaro Lobato de Faria e Zeferino Silva

Wednesday, May 19, 2010

66 anos de Carreira de HILÁRIO TEIXEIRA LOPES




foto de Maria João Franco

Hilário Teixeira Lopes










Hilário Teixeira Lopes


"DA COLORATURA MULTI-DIRECCIONALMENTE EXPANSIVA"

FORTE DO BOM SUCESSO
MAC/LIGA DOS COMBATENTES




08.Junho/ 08.Setembro 2010

Hilário Teixeira Lopes é um pintor inquieto, passando por períodos estéticos diversos, desde a abstracção à figuração, do expressionismo à nova-figuração, tendo sempre presente um forte sentido geométrico nas suas composições.
Quando em 1965, ganha o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – o mais importante prémio de pintura instituído em Portugal na altura – a sua obra começa a evoluir num sentido cromático pleno de intensidade expressiva, em que os volumes são rigidamente definidos em cores planas e o movimento é dado por múltiplas dicotomias, entre planos e espaços.
Esta evolução culmina em 1969, quando o quadro “Futebol USA”, conquista o Primeiro Prémio de Pintura na II Bienal Internacional de Desporto em Belas Artes (Madrid). Nessa ocasião, toda a crítica madrilena foi unânime em reconhecer a justiça do prémio e em verificar que o pintor português era incontestavelmente um dos casos mais promissores da pintura contemporânea.
O galardão conquistado confere novos estímulos ao pintor que rapidamente começa a trabalhar na procura de uma solução pictórica, coerente com a sua produção anterior, mas que agora se apresentava plena de qualidades matéricas, onde a exaltação da cor é dada por matizes diversos: da sua paleta explodem as cores quentes do sol e da terra, do sangue dos homens e do azul sideral dos astros.
No ano em que comemora 66 anos de carreira, Hilário Teixeira Lopes conta já com a realização de quase 40 exposições individuais e mais de 550 participações em exposições colectivas, estando representado em diversas colecções nacionais e internacionais, das quais se destaca a colecção da Assembleia da República.
Cada uma das suas obras torna-se um teatro de memória, uma ocasião para imaginarmos acontecimentos que não têm outra existência para além dos vestígios que deles subsistem.
As suas telas tornam-se um depósito, um tesouro de instantes e de formas, revelando-se como espaços diversificados, capazes de preservar a memória de acontecimentos múltiplos, a memória dos tempos.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea congratula-se, pois, por comissariar esta mostra de carácter retrospectivo, unindo-se à iniciativa da Liga dos Combatentes, num projecto de acção e divulgação cultural que em muito prestigia as Artes Plásticas portuguesas.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea





HILÁRIO TEIXEIRA LOPES vai este ano ser homenageado com três exposições pelos seus 66 anos de carreira.


"Da Criatividade em Tempo-Espaço do Imaginário" de 28 de maio a 19 de junho ,as Oficinas de Formação e Animação Cultural da C.M. de Aljustrel ,numa parceria com o MAC-Movimento Arte Contemporânea;

"da coloratura multidireccionalmente expansiva" no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa, a partir de 8 de Junho de 2010


e no Museu da Água , em data a determinar.



As três mostras são comissariadas por Álvaro Lobato de Faria em parcerias estabelecidas entre o MAC-Movimento Arte Contemporânea e aquelas Instituições


Thursday, April 29, 2010

SANTOS LOPES _ bronzes e releituras em tela

Isadora - Momento 9, fundição em bronze, 60x54x12cm, 1984

Duas Mulheres, 47x29x24cm, fundição em bronze, 1981

A Minha Esperança, fundição em bronze, 92x41x35cm, 1989

Capricho Italiano, fundição em bronze, 88x53x22cm, 1997


Inaugura a 4 de maio_ 19h

MAC - Av. Álvares Cabral, 58-60, Lisboa

Um conceito chave é comum a toda a produção escultórica de Santos Lopes – movimento. E neste conceito, o escultor encerra um conjunto de motivações formais – dimensão, textura, patine – através das quais nos é dada uma aparência física, dos seres e das coisas, capaz de afectar os nossos sentidos de tacto e visão.
Santos Lopes constrói a matéria inerte na sobreposição de planos, volumes, arestas, possibilitando-lhe diversas variações de posição relativamente ao fruidor.
Não se trata aqui de uma noção de movimento enquanto deslocamento dos objectos no espaço, mas sim de um movimento interno, de forças que se geram no equilíbrio da composição e as formas estáticas tornam-se cinéticas e dinâmicas, expandindo-se para além das três dimensões: altura, largura e profundidade.
A obra de Santos Lopes assume-se numa linha de investigação escultórica atávica, reforçando as preocupações tradicionais da prática escultórica que se prendem com o espaço, o volume, o peso, a gravidade.
Nela percebemos o interesse que os pontos de vista assumem no seu trabalho. Os pontos de vista dos corpos de Isadora em movimentos de dança, os pontos de vista de braços que dão lugar a asas em movimentos espraiados, os pontos de vista de abraços em movimentos de afecto.
A constância da prática escultórica de Santos Lopes está enraizada na disciplina artesanal do atelier, próxima à magia alquímica, que lhe confere destreza, pouco usual, no manuseamento das matérias, que vão do barro ao bronze, passando pelos gessos, pelas ceras, pelos ácidos.
À parte de todas as polémicas da pós-modernidade, Santos Lopes actua no terreno de uma prática oficinal cara à tradição escultórica até meados do século XX: o escultor é autor moral e material, em que o “pensar” não se distancia do “fazer” – projecto e obra fundem-se num só, afastando-se determinantemente do facilitismo que a industrialização permite.
Ainda cicatrizada pela técnica, a obra sai-lhe das mãos reiterando a proximidade do escultor com as ferramentas, os utensílios, as matérias.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea dá as boas vindas a Santos Lopes, pela sua primeira mostra neste espaço, não querendo deixar de chamar a atenção para a forma total com que o artista se entrega à paixão pela arte, pela sua prática, pelo seu ensino, pela sua divulgação.
Firmada numa tradição estética repartida entre a disciplina e a sobriedade plástica, a exposição “Bronzes e releituras em tela” apresenta-se como resultado de um percurso entre a escultura e o desenho que, transportado à tela, perde o carácter de exercício prévio, assumindo autonomia de arte final.

Álvaro Lobato de Faria

FERNANDO d`F. PEREIRA _ continuação II

Aladina, 105x114cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

O Kasper, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

O Rei dos Macacos, 107x114cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

Monsieur, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

Alice, 50x50cm, técnica mista s/plexiglass, 2010

Inaugura a 4 de maio _ 19h
MAC - Rua do Sol ao Rato, 9C, Lisboa

Estar perante a pintura de Fernando d’ F. Pereira é estar diante de um mundo muito próprio em que a obra se oferece ao fruidor num espectáculo de cor e forma, e em que estas se autodeterminam para aparência do acaso.
F. Pereira não se inscreve enquanto criativo no mundo massificado da arte global.
Antes, dela se distancia na medida em que não se detecta qualquer influência próxima, não pondo de lado contudo o manancial de saber que advém do conhecimento de toda a pintura anterior, desde um Pollock a um De Kooning, passando mesmo por um Du Buffet, tendo contudo sabido traduzir a síntese de todas as correntes estéticas do século XX num modo muito peculiar de operar no campo plástico a sua interioridade pelo prazer lúdico com que manipula os diversos materiais.
Esse modo de prazer, de um fazer acidental em que formas e figuras parecem surgir do acaso, tornando-se inteligíveis pela forma dinâmica como se relacionam no campo plástico.
É um jogo de pequenas e grandes áreas que se vão tornando conotáveis ao olhar e capacidade de captação e relação formal, criando uma rede de encenação como que divindades saindo de um plasma inicial. Isto provém da alta técnica de Fernando d’ F. Pereira no uso dos materiais e no tratamento das cores.
Confirmando o talento e a alta qualidade do autor desta mostra, eis o motivo pelo qual nos sentimos compensados com esta exposição de Fernando d’ F. Pereira agora patente no MAC-Movimento Arte Contemporânea.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC

Monday, February 8, 2010

Ricardo Paula_"o eco...e o azul profundo da Casa do Lago"






2 a 31 de Março de 2010

O eco... e o azul profundo da Casa do Lago




PINTURA de Ricardo Paula



texto de apresentação



Ora exuberante ora como relâmpago de silêncio e desespero, simbiose de céu e terra, realidade e imaginação, prisão e liberdade, a Mulher é a essência da pintura de Ricardo Paula, onde o ser é elevado da sua redutibilidade física a esferas de grandeza e de místico conteúdo alegórico.
O seu rosto, por vezes encoberto e indefinido ou acentuado com traços fortes e marcantes, situa-se no limiar do intraduzível real e conduz-nos de imediato ao mundo próprio do artista.
As formas despidas, o jogo da geometria, da luz e da emoção não impedem a existência de uma tensão, uma dissonância íntima que introduz a sensualidade e explica o prazer que sentimos ao contemplá-las.
São sonhos que conhecemos sem os ter sonhado, sugestões de fantasia, testemunhos imaginados, como que um sussurrar de segredos, fruto da sua força plástica e do uso sábio da neutralidade da cor.
A pintura de Ricardo Paula constitui um elo entre a pureza do traço e a beleza das formas. É algo não só peculiar, mas até mesmo magnífico, uma visão toda nova e toda sua de engrandecer e a enriquecer o nosso olhar e a maneira de percebermos as coisas e o universo em que vivemos.
Há, não só, o espaço que apenas com o olhar se vislumbra, mas há também e sobretudo, a sugestão das coisas que contemplamos sem as vermos. O seu silêncio é uma forma de absoluto anseio da totalidade perdida.
E é nesse silêncio diluído das telas, nessa nudez quase branca que surgem agora as tímidas vozes que habitam “o eco... e o azul profundo da Casa do Lago”.
E já não sabemos se são recordações que julgávamos perdidas ou simplesmente apelos contidos das nossas emoções, onde gentes e objectos estão presentes por detrás das telas, onde nada sobra, nem um só traço que não seja essencial.
Ricardo Paula traduz com pujança incomum a sua nítida visão pessoal, numa coerência em que as personagens são subtilmente diferenciadas através das cores incisivas e da dinâmica do traço: inscrevendo linhas viris e bem visíveis, sobretudo na maneira vigorosa de sublinhar o desenho, a sua pintura denota uma vontade e um querer impositivos.
A composição severamente estruturada e as relações cromáticas são inovadoras de contrastes e plenas de vigor e originalidade. A textura é utilizada com sabedoria, matiza a emoção do artista e confere densidade à pintura.
Com este inventário deixado pelo prazer e pelo abandono, com todas as notas tiradas à margem como fragmentos de vida, Ricardo Paula cumpre, entre a inovação e o aperfeiçoamento progressivo das suas formas, um compromisso entre o imaginário e a humanidade que se pressente nos gestos e na expressão do quotidiano.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Fevereiro 2010









português/inglês

Saturday, January 30, 2010

Viagem de trabalho a São Paulo-Brasil

Álvaro Lobato de Faria nos jardins do atelier /residência do Esc Santos Lopes




Álvaro Lobato de Faria,no âmbito da expansão do MAC-Movimento Arte Contemporânea de que é director coordenador, deslocou-se ao Brasil, mais especificamente a S.Paulo numa viagem de estudo e prospecção, no intuito de estabelecer novas parcerias com instituições públicas ,entre as quais o MUB (Museu de Escultura do Brasil), e entidades privadas e galerias daquela cidade.
Esta viagem de trabalho a S. Paulo - Brasil, que contou com o apoio incondicional do Esc Santos Lopes, ali residente, proporcionou conversações para futuros projectos e trabalhos com o Museu Brasileiro da Escultura de S. Paulo, MUBE , tendo o director do MAC reunido com o Director Presidente do Museu Dr. Jorge F.M. Landmann, com a Assessora da Presidência D. Maria Lúcia Junqueira Silva e com a Directora de Relações Internacionais Renata de Azevedo Silva. Foi uma reunião de troca de impressões muito proveitosa.
Realizaram-se reuniões de trabalho com um dos maiores galeristas de S. Paulo , André Blau, proprietário das maiores e melhores galerias de S. Paulo as Galerias de Artes ANDRÉ.
Seguiram-se 36 horas de trabalho árduo e muito proveitoso no atelier /residência do Escultor Santos Lopes, artista com grande projecção em S. Paulo, que irá expôr individualmente em Lisboa no MAC no próximo Maio de 2010.Todos estes encontros e reuniões de trabalho com museus e galerias só foram possíveis graças aos conhecimentos e empenho deste grande escultor radicado em S. Paulo há 35 anos que é Santos Lopes.

Thursday, January 7, 2010

Paulo Canilhas no MAC





O MAC - Movimento Arte Contemporânea

inaugura a 2 de Fevereiro, terça feira, pelas 19 horas,
a Exposição de Artes Plásticas


Organic

de

Paulo Canilhas





Patente na Galeria MAC na AV. Álvares Cabral, 58-60, em Lisboa,
a exposição de pintura, desenho e instalação estará aberta ao público
até dia 28 de Fevereiro.

Para mais informações:
MAC Sol ao Rato
Rua do Sol ao Rato, 9C - 1250-260 Lisboa
Tel. 213 850 789
mac@movimentoartecontemporanea.com

MAC Álvares Cabral
Av. Álvares Cabral, 58/60 - 1250-018 Lisboa







http://www.madridenmarco.webege.com/documents/eventosmadridenmarco.php?title=exposici%F3n-organic-de-paulo-canilhas-en-mac&entry_id=1263843025

Paulo Canilhas percorre um imaginário de constantes e consistentes inquirições. De um pensamento estético profundamente actual, Paulo Canilhas demonstra as potencialidades humanas frente a um material estático, tentando “domesticá-lo” recriando outros campos através das caracteristicas inerentes àquela matéria, compondo assim um encantamento em que o jogo ou os jogos de luz reflectida se tornam objecto de indagação, interpondo-se entre o espectador e a obra criada.

Nesse mesmo sentido lúdico de uma superfície recriada, Paulo Canilhas propõe-nos o imaginário da reconquista do Orgânico sobre o Inorgânico. Um tempo futuro mas provavelmente não tão longe quanto se pode esperar e desejar.
Na sua intervenção joga com elementos inorgânicos, cuja organicidade é simplesmente aparente, uma vez recriada, em primeiro lugar pelo autor, que a remete para o espectador como entendimento da força da sua expectativa.
Ainda, a fisicidade da luz na sua “inconstância”, resultante dos vários jogos relativos e matéricos, propõe ao autor a dúvida exaustiva, objecto de pesquisa que Paulo Canilhas persegue.
Como nomear essa mistura entre um objecto aparentemente inerte e um “sujeito” vivo, animado e luminoso?
A realidade é, em Paulo Canilhas, um conceito inquietante. Virtualizada, está sujeita a múltiplas possibilidades dos processos mediados pela expressão que, de certa maneira, escapam ao controle daquilo que vive sob a alçada da matéria. O trabalho que nos propõe, exemplo das perenes misturas entre Natureza e Tecnologia, goza hoje de um estatuto misto de entidade ao mesmo tempo natural e artificial, sendo o seu estado uma permanente metamorfose.
As questões que Paulo Canilhas aborda fazem-nos entender um ser sensível, inteligente e atento às mutações constantes do homem, das sociedades e do ou dos vários universos.
Um leitor assíduo, eficaz e solidário das vidas e das coisas com que nos defrontamos e confrontamos.
A forma e o simples e desinteressado empenho com que tem contribuído ultimamente no intuito de divulgar o MAC, prestando-se a colocar parte do seu tempo à nossa disposição faz de Paulo Canilhas um colaborador considerável de que o MAC se orgulha, pela qualidade e pesquisa da sua obra e pelo seu modo de estar como cidadão e autor.

Álvaro Lobato de Faria

director coordenador do MAC - Movimento Arte Contemporânea


No nosso mundo industrializado, sempre e cada vez mais, a mecanização abafa os mais simples movimentos humanos, a força de braços substituída pela mecânica, o suspiro de cansaço pelos espasmos hidráulicos das engrenagens que tomam conta do nosso espaço do nosso ar.
Esta mudança, por nós instalada, terá um fim quando a matéria inerte se sobrepuser à orgânica a humanidade acabar substituída e as máquinas tomarem o lugar dominante que parece lhes estar destinado. ...e depois? ...pergunto-me, irá a matéria orgânica reconquistar a sua posição? ...haverá capacidade para essa reconquista?
A matéria orgânica terá pela frente uma odisseia, uma batalha titânica na reconquista do seu espaço, num mundo de metal, frio insensível e negro.
Estaremos longe desta realidade?
As imagens que vos proponho em ‘ORGANIC’ são a minha visualização desse tempo em que a matéria orgânica, sabe-se lá em que forma, emerge por baixo do frio e tumular metal e tentará ganhar de novo o seu lugar no nosso mundo.

Paulo Canilhas