créditos

Direcção, organização e redacção
Álvaro Lobato de Faria e Zeferino Silva

Saturday, June 5, 2010

Hilário Teixeira Lopes no ESPAÇO OFICINAS em Aljustrel





MESTRE TEIXEIRA LOPES
Exposição comemorativa dos 66 anos de carreira
Hilário Teixeira Lopes é considerado por alguns como um dos maiores pintores portugueses vivos. Assim, o espaço Oficinas inaugurou, no dia 28 de Maio, a exposição que marca o início das comemorações dos 66 anos de carreira deste pintor.
Uma hora depois decorreu uma conversa com o artista em que participaram, para além do Mestre Hilário, Andreia Pereira, Joana Gomes e Álvaro Lobato de Faria
Entretanto, no dia 8 de Junho, é inaugurada uma exposição de Hilário Teixeira Lopes no Forte do Bom Sucesso em Belém que terá um dos momentos altos no dia 10 de Junho. A exposição que estará em Aljustrel vai depois integrar esta outra, que terá uma sala deixada vazia para esse efeito.
Esta importante mostra conta com a colaboração do Movimento de Arte Contemporânea e comissariada por Álvaro Lobato Faria.

Aljustrel, 1 de Junho de 2010

Wednesday, June 2, 2010

HILÁRIO TEIXEIRA LOPES_homenagem ao Artista pelos 66 anos de carreira






Inaugura dia 8 de junho pelas 18h30m no Forte do Bom Sucesso,
numa parceria MAC - Movimento Arte Contemporânea / Liga dos Combatentes
a exposição
"da coloratura multidireccionalmente expansiva"



de HILÁRIO TEIXEIRA LOPES
integrada na homenagem prestada a este pintor pelos seus 66 anos de carreira.



A mostra tem como comissário Álvaro Lobato de Faria.
e vai estar patente ao público até 8 de setembro de 2010

horário:
De 2ª a 6ª Feira das 10 horas ás 18 horas –
Sábados e Domingos das 10 horas ás 19 horas.


texto do catálogo
DA COLORATURA MULTI-DIRECCIONALMENTE EXPANSIVA

Hilário Teixeira Lopes é um pintor inquieto, passando por períodos estéticos diversos, desde a abstracção à figuração, do expressionismo à nova-figuração, tendo sempre presente um forte sentido geométrico nas suas composições.
Quando em 1965, ganha o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – o mais importante prémio de pintura instituído em Portugal na altura – a sua obra começou a evoluir num sentido cromático pleno de intensidade expressiva, em que os volumes são rigidamente definidos em cores planas e o movimento é dado por múltiplas dicotomias, entre planos e espaços.
Esta evolução culmina em 1969, quando o quadro “Rugby”, conquista o Primeiro Prémio de Pintura na II Bienal Internacional de Desporto em Belas Artes (Madrid). Nessa ocasião, toda a crítica madrilena foi unânime em reconhecer a justiça do prémio e em verificar que o pintor português era incontestavelmente um dos casos mais promissores da pintura contemporânea.
O galardão conquistado confere novos estímulos ao pintor que rapidamente começa a trabalhar na procura de uma solução pictórica, coerente com a sua produção anterior, mas que agora se apresentava plena de qualidades matéricas, onde a exaltação da cor é dada por matizes diversos: da sua paleta explodem as cores quentes do sol e da terra, do sangue dos homens e do azul sideral dos astros.
Na pintura de Hilário Teixeira Lopes, as cores assumem-se como instrumentos, teclados e finas cordas distendidas, construindo na tela uma composição ritmada, impulsiva e vibrátil.
Numa dança de cor, mancha e forma, somos envolvidos numa orquestração cromática, onde a noção de tempo musical é indissociável da linguagem plástica do pintor, assumindo-se como modo de apropriação espacial, criando ritmos e andamentos cromáticos.
Esta noção de tempo e ritmo musical surge logo no processo de trabalho, no gestualismo rápido da aplicação da cor, na pincelada larga e expansiva que o pintor transmite à tela, na metamorfose lumínica com que Hilário anima e ilumina o espaço estanque, tradicionalmente assumido pelo suporte da tela, em repentinas erupções de cores agudas e gestos de impulso.
O nosso olhar segue o cerne ondulatório desse movimento e desta dinâmica vive o pulsar de um estado de paixão.
Depositário de um tesouro de instantes e de formas, Hilário Teixeira Lopes revela-se em espaços e tempos diversificados, mostrando-se capaz de preservar a memória de acontecimentos múltiplos, que não têm outra existência para além dos vestígios que deles subsistem.
Possessiva, intuitiva e apaixonada, a pintura de Hilário Teixeira Lopes reconduz-nos musicalmente ao ritmo da criação e ao gesto, no mais límpido exercício da comunicação humana.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea congratula-se, pois, por comissariar esta mostra de carácter retrospectivo, unindo-se à iniciativa da Liga dos Combatentes, num projecto de acção e divulgação cultural que em muito prestigia as Artes Plásticas portuguesas.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea


mais informação em

Monday, May 24, 2010

Gil Teixeira Lopes/Matilde Marçal

"PARA LÁ DO TEMPO"

Gil Teixeira Lopes

Gil Teixeira Lopes

Gil Teixeira Lopes


Matilde Marçal

Matilde Marçal

Matilde Marçal
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textos do catálogo
Gil Teixeira Lopes, Ser em que toda a força anímica se guarda e expande mesmo quando todos os factores lhe são adversos. Artista nas mais variadas vertentes criativas, desde a pintura ao desenho e à escultura. Gravador, dos mais premiados a nivel internacional.
Este Homem que tem vencido os desencantos e as submersões com a luta pela vida, sobrevivendo a cada instante num respirar profundo e sentido, é hoje apesar de todas as erosões a que foi submetido ”mesmo as de origens mais obscuras” como refere Rocha de Sousa , e será sempre uma das figuras grandes do mais profundo e rico pensamento plástico.
Professor Jubilado da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Gil Teixeira Lopes é mais um exemplo da opacidade do silêncio com que as críticas e recém chegadas curadorias se entretêm, como que a ajardinar, de uma forma curiosa e precária, a cultura plástica de um país pobre em informação autêntica, fundamentada em conceitos independentes e universalmente válidos.
Prémio Internacional de Gravura, Gil Teixeira Lopes vê a sua obra reconhecida ao olhos do mundo.
E bom e saudável seria que este binómio Figura- Obra fosse divulgada sem assombros ou e com todos os critérios disponiveis pelas nossas Instituições culturais.
"Os homens não chegam a um entendimento, pois dispõem a sua existência a partir de um acordo com a escala da pirâmide fatal. Todos desejam chegar ao topo, eliminando os outros, quando seria mais natural viver como as flores num prado, onde cada uma encontra o seu lugar …”
São palavras de Brancusi, tão bem plasmadas nos tempos subsequentes e em todos os tempos em que o Modo e a Moda se tornaram factores de risco para a implementação de uma cultura, neste caso de uma cultura plástica, em que o artista seja verdadeiramente livre de esquemas, se, não de mercado, pelo menos de mesquinhos esquemas de patamares em que a análise do social conhecido se reflete.
O MAC-Movimento Arte Contemporanea sente o maior orgulho em expôr pela primeira vez individualmente a sua obra, factor de enriquecimento cultural e artistico deste espaço.
Álvaro Lobato de Faria
Matilde Marçal sugere-nos com a sua pintura a lembrança de uma perda antiga, nostalgia talvez de vidas vividas numa infância que se identifica com a das crianças dos grandes lares das famílias unde as crianças teatralizavam a vida dos grandes, em qua as palavras surgem como elamentos de uma caligrafia pictórica e as imagena com dialogam num sonho velada e vigiado por um luar de noite escura ou por um sol ensombrados por algumas nuvens que douram os caminhos a percorrerpor um lirismo que se assemelha a um in memorian latente, que acrescenta à obra, a grandeza de uma universalidade no reconhecimento de um estado emotivo familiar.
A pintura de Matilde Marçal percorida por uma história infindavel em que a plastica caligrafica se deixa envolver pela plasticidade da cor e na iconografia dos retratos antigos numa paleta muito sua, inconfundível como se nos quisesse transmitir assim o seu sonho, os seus sonhos ou desilusões, somatórios reais de sentimentos indescritiveis por outra forma que não esta.
Por outro lado, é na substância das emoções que Matilde Marçal refere ter os seus significantes mais próximos e, por isso, empreende a travessia da plasticidade , viagem de lá para cá, num percurso insano pela significação e transmutaçao das “coisas “, miolo do verbo e da emoção, referidos ciclicamente, alquimicamente...
Um todo, como um desejo, está implícito como num livro escrito da vida dos próprios sentimentos,
Uma plasticididade epidermica surge na obra de Matilde Marçal, aqui e além atravessada por um rasgão, um grito de alerta, como que a dizer:
_ Aqui estou!
Álvaro Lobato de Faria

O MAC-Movimento Arte Contemporanea tem um grande orgulho em acolher neste espaço
a mostra ”Para além do Tempo” em que esta artista uma vez mais nos dá a conhecer e reconhecer a sua qualidade, como um dos grandes valores das Artes deste País.

O MAC-Movimento Arte Contemporânea
convida V/Exa para a Exposição de
GIL TEIXEIRA LOPES / MATILDE MARÇAL
"PARA LÁ DO TEMPO"
que se realiza no dia 1 de junho
pelas 19 horas
na Av. Álvares Cabral,58/60 em Lisboa
e estará patente até 25 de junho de 2010.
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MAC-Movimento Arte Contemporânea
Rua do Sol ao Rato 9C Lisboa
Av Álvares Cabral 58/60 Lisboa
tel 21 385 07 89 / 21 386 72 15
tm 96 267 05 32
.
Horário
segunda a sexta, das 13h às 20h
sábado, das 15h às 19h
domingos e feriados por marcação tm 96 267 05 32
.
ver mais em

Wednesday, May 19, 2010

66 anos de Carreira de HILÁRIO TEIXEIRA LOPES




foto de Maria João Franco

Hilário Teixeira Lopes










Hilário Teixeira Lopes


"DA COLORATURA MULTI-DIRECCIONALMENTE EXPANSIVA"

FORTE DO BOM SUCESSO
MAC/LIGA DOS COMBATENTES




08.Junho/ 08.Setembro 2010

Hilário Teixeira Lopes é um pintor inquieto, passando por períodos estéticos diversos, desde a abstracção à figuração, do expressionismo à nova-figuração, tendo sempre presente um forte sentido geométrico nas suas composições.
Quando em 1965, ganha o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – o mais importante prémio de pintura instituído em Portugal na altura – a sua obra começa a evoluir num sentido cromático pleno de intensidade expressiva, em que os volumes são rigidamente definidos em cores planas e o movimento é dado por múltiplas dicotomias, entre planos e espaços.
Esta evolução culmina em 1969, quando o quadro “Futebol USA”, conquista o Primeiro Prémio de Pintura na II Bienal Internacional de Desporto em Belas Artes (Madrid). Nessa ocasião, toda a crítica madrilena foi unânime em reconhecer a justiça do prémio e em verificar que o pintor português era incontestavelmente um dos casos mais promissores da pintura contemporânea.
O galardão conquistado confere novos estímulos ao pintor que rapidamente começa a trabalhar na procura de uma solução pictórica, coerente com a sua produção anterior, mas que agora se apresentava plena de qualidades matéricas, onde a exaltação da cor é dada por matizes diversos: da sua paleta explodem as cores quentes do sol e da terra, do sangue dos homens e do azul sideral dos astros.
No ano em que comemora 66 anos de carreira, Hilário Teixeira Lopes conta já com a realização de quase 40 exposições individuais e mais de 550 participações em exposições colectivas, estando representado em diversas colecções nacionais e internacionais, das quais se destaca a colecção da Assembleia da República.
Cada uma das suas obras torna-se um teatro de memória, uma ocasião para imaginarmos acontecimentos que não têm outra existência para além dos vestígios que deles subsistem.
As suas telas tornam-se um depósito, um tesouro de instantes e de formas, revelando-se como espaços diversificados, capazes de preservar a memória de acontecimentos múltiplos, a memória dos tempos.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea congratula-se, pois, por comissariar esta mostra de carácter retrospectivo, unindo-se à iniciativa da Liga dos Combatentes, num projecto de acção e divulgação cultural que em muito prestigia as Artes Plásticas portuguesas.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea





HILÁRIO TEIXEIRA LOPES vai este ano ser homenageado com três exposições pelos seus 66 anos de carreira.


"Da Criatividade em Tempo-Espaço do Imaginário" de 28 de maio a 19 de junho ,as Oficinas de Formação e Animação Cultural da C.M. de Aljustrel ,numa parceria com o MAC-Movimento Arte Contemporânea;

"da coloratura multidireccionalmente expansiva" no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa, a partir de 8 de Junho de 2010


e no Museu da Água , em data a determinar.



As três mostras são comissariadas por Álvaro Lobato de Faria em parcerias estabelecidas entre o MAC-Movimento Arte Contemporânea e aquelas Instituições


Thursday, April 29, 2010

SANTOS LOPES _ bronzes e releituras em tela

Isadora - Momento 9, fundição em bronze, 60x54x12cm, 1984

Duas Mulheres, 47x29x24cm, fundição em bronze, 1981

A Minha Esperança, fundição em bronze, 92x41x35cm, 1989

Capricho Italiano, fundição em bronze, 88x53x22cm, 1997


Inaugura a 4 de maio_ 19h

MAC - Av. Álvares Cabral, 58-60, Lisboa

Um conceito chave é comum a toda a produção escultórica de Santos Lopes – movimento. E neste conceito, o escultor encerra um conjunto de motivações formais – dimensão, textura, patine – através das quais nos é dada uma aparência física, dos seres e das coisas, capaz de afectar os nossos sentidos de tacto e visão.
Santos Lopes constrói a matéria inerte na sobreposição de planos, volumes, arestas, possibilitando-lhe diversas variações de posição relativamente ao fruidor.
Não se trata aqui de uma noção de movimento enquanto deslocamento dos objectos no espaço, mas sim de um movimento interno, de forças que se geram no equilíbrio da composição e as formas estáticas tornam-se cinéticas e dinâmicas, expandindo-se para além das três dimensões: altura, largura e profundidade.
A obra de Santos Lopes assume-se numa linha de investigação escultórica atávica, reforçando as preocupações tradicionais da prática escultórica que se prendem com o espaço, o volume, o peso, a gravidade.
Nela percebemos o interesse que os pontos de vista assumem no seu trabalho. Os pontos de vista dos corpos de Isadora em movimentos de dança, os pontos de vista de braços que dão lugar a asas em movimentos espraiados, os pontos de vista de abraços em movimentos de afecto.
A constância da prática escultórica de Santos Lopes está enraizada na disciplina artesanal do atelier, próxima à magia alquímica, que lhe confere destreza, pouco usual, no manuseamento das matérias, que vão do barro ao bronze, passando pelos gessos, pelas ceras, pelos ácidos.
À parte de todas as polémicas da pós-modernidade, Santos Lopes actua no terreno de uma prática oficinal cara à tradição escultórica até meados do século XX: o escultor é autor moral e material, em que o “pensar” não se distancia do “fazer” – projecto e obra fundem-se num só, afastando-se determinantemente do facilitismo que a industrialização permite.
Ainda cicatrizada pela técnica, a obra sai-lhe das mãos reiterando a proximidade do escultor com as ferramentas, os utensílios, as matérias.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea dá as boas vindas a Santos Lopes, pela sua primeira mostra neste espaço, não querendo deixar de chamar a atenção para a forma total com que o artista se entrega à paixão pela arte, pela sua prática, pelo seu ensino, pela sua divulgação.
Firmada numa tradição estética repartida entre a disciplina e a sobriedade plástica, a exposição “Bronzes e releituras em tela” apresenta-se como resultado de um percurso entre a escultura e o desenho que, transportado à tela, perde o carácter de exercício prévio, assumindo autonomia de arte final.

Álvaro Lobato de Faria

FERNANDO d`F. PEREIRA _ continuação II

Aladina, 105x114cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

O Kasper, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

O Rei dos Macacos, 107x114cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

Monsieur, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010

Alice, 50x50cm, técnica mista s/plexiglass, 2010

Inaugura a 4 de maio _ 19h
MAC - Rua do Sol ao Rato, 9C, Lisboa

Estar perante a pintura de Fernando d’ F. Pereira é estar diante de um mundo muito próprio em que a obra se oferece ao fruidor num espectáculo de cor e forma, e em que estas se autodeterminam para aparência do acaso.
F. Pereira não se inscreve enquanto criativo no mundo massificado da arte global.
Antes, dela se distancia na medida em que não se detecta qualquer influência próxima, não pondo de lado contudo o manancial de saber que advém do conhecimento de toda a pintura anterior, desde um Pollock a um De Kooning, passando mesmo por um Du Buffet, tendo contudo sabido traduzir a síntese de todas as correntes estéticas do século XX num modo muito peculiar de operar no campo plástico a sua interioridade pelo prazer lúdico com que manipula os diversos materiais.
Esse modo de prazer, de um fazer acidental em que formas e figuras parecem surgir do acaso, tornando-se inteligíveis pela forma dinâmica como se relacionam no campo plástico.
É um jogo de pequenas e grandes áreas que se vão tornando conotáveis ao olhar e capacidade de captação e relação formal, criando uma rede de encenação como que divindades saindo de um plasma inicial. Isto provém da alta técnica de Fernando d’ F. Pereira no uso dos materiais e no tratamento das cores.
Confirmando o talento e a alta qualidade do autor desta mostra, eis o motivo pelo qual nos sentimos compensados com esta exposição de Fernando d’ F. Pereira agora patente no MAC-Movimento Arte Contemporânea.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC

Monday, February 8, 2010

Ricardo Paula_"o eco...e o azul profundo da Casa do Lago"






2 a 31 de Março de 2010

O eco... e o azul profundo da Casa do Lago




PINTURA de Ricardo Paula



texto de apresentação



Ora exuberante ora como relâmpago de silêncio e desespero, simbiose de céu e terra, realidade e imaginação, prisão e liberdade, a Mulher é a essência da pintura de Ricardo Paula, onde o ser é elevado da sua redutibilidade física a esferas de grandeza e de místico conteúdo alegórico.
O seu rosto, por vezes encoberto e indefinido ou acentuado com traços fortes e marcantes, situa-se no limiar do intraduzível real e conduz-nos de imediato ao mundo próprio do artista.
As formas despidas, o jogo da geometria, da luz e da emoção não impedem a existência de uma tensão, uma dissonância íntima que introduz a sensualidade e explica o prazer que sentimos ao contemplá-las.
São sonhos que conhecemos sem os ter sonhado, sugestões de fantasia, testemunhos imaginados, como que um sussurrar de segredos, fruto da sua força plástica e do uso sábio da neutralidade da cor.
A pintura de Ricardo Paula constitui um elo entre a pureza do traço e a beleza das formas. É algo não só peculiar, mas até mesmo magnífico, uma visão toda nova e toda sua de engrandecer e a enriquecer o nosso olhar e a maneira de percebermos as coisas e o universo em que vivemos.
Há, não só, o espaço que apenas com o olhar se vislumbra, mas há também e sobretudo, a sugestão das coisas que contemplamos sem as vermos. O seu silêncio é uma forma de absoluto anseio da totalidade perdida.
E é nesse silêncio diluído das telas, nessa nudez quase branca que surgem agora as tímidas vozes que habitam “o eco... e o azul profundo da Casa do Lago”.
E já não sabemos se são recordações que julgávamos perdidas ou simplesmente apelos contidos das nossas emoções, onde gentes e objectos estão presentes por detrás das telas, onde nada sobra, nem um só traço que não seja essencial.
Ricardo Paula traduz com pujança incomum a sua nítida visão pessoal, numa coerência em que as personagens são subtilmente diferenciadas através das cores incisivas e da dinâmica do traço: inscrevendo linhas viris e bem visíveis, sobretudo na maneira vigorosa de sublinhar o desenho, a sua pintura denota uma vontade e um querer impositivos.
A composição severamente estruturada e as relações cromáticas são inovadoras de contrastes e plenas de vigor e originalidade. A textura é utilizada com sabedoria, matiza a emoção do artista e confere densidade à pintura.
Com este inventário deixado pelo prazer e pelo abandono, com todas as notas tiradas à margem como fragmentos de vida, Ricardo Paula cumpre, entre a inovação e o aperfeiçoamento progressivo das suas formas, um compromisso entre o imaginário e a humanidade que se pressente nos gestos e na expressão do quotidiano.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Fevereiro 2010









português/inglês