
horário:
De 2ª a 6ª Feira das 10 horas ás 18 horas
Sábados e Domingos das 10 horas ás 19 horas.



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De 2ª a 6ª Feira das 10 horas ás 18 horas –
Sábados e Domingos das 10 horas ás 19 horas.
texto do catálogo
DA COLORATURA MULTI-DIRECCIONALMENTE EXPANSIVA
Hilário Teixeira Lopes é um pintor inquieto, passando por períodos estéticos diversos, desde a abstracção à figuração, do expressionismo à nova-figuração, tendo sempre presente um forte sentido geométrico nas suas composições.
Quando em 1965, ganha o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – o mais importante prémio de pintura instituído em Portugal na altura – a sua obra começou a evoluir num sentido cromático pleno de intensidade expressiva, em que os volumes são rigidamente definidos em cores planas e o movimento é dado por múltiplas dicotomias, entre planos e espaços.
Esta evolução culmina em 1969, quando o quadro “Rugby”, conquista o Primeiro Prémio de Pintura na II Bienal Internacional de Desporto em Belas Artes (Madrid). Nessa ocasião, toda a crítica madrilena foi unânime em reconhecer a justiça do prémio e em verificar que o pintor português era incontestavelmente um dos casos mais promissores da pintura contemporânea.
O galardão conquistado confere novos estímulos ao pintor que rapidamente começa a trabalhar na procura de uma solução pictórica, coerente com a sua produção anterior, mas que agora se apresentava plena de qualidades matéricas, onde a exaltação da cor é dada por matizes diversos: da sua paleta explodem as cores quentes do sol e da terra, do sangue dos homens e do azul sideral dos astros.
Na pintura de Hilário Teixeira Lopes, as cores assumem-se como instrumentos, teclados e finas cordas distendidas, construindo na tela uma composição ritmada, impulsiva e vibrátil.
Numa dança de cor, mancha e forma, somos envolvidos numa orquestração cromática, onde a noção de tempo musical é indissociável da linguagem plástica do pintor, assumindo-se como modo de apropriação espacial, criando ritmos e andamentos cromáticos.
Esta noção de tempo e ritmo musical surge logo no processo de trabalho, no gestualismo rápido da aplicação da cor, na pincelada larga e expansiva que o pintor transmite à tela, na metamorfose lumínica com que Hilário anima e ilumina o espaço estanque, tradicionalmente assumido pelo suporte da tela, em repentinas erupções de cores agudas e gestos de impulso.
O nosso olhar segue o cerne ondulatório desse movimento e desta dinâmica vive o pulsar de um estado de paixão.
Depositário de um tesouro de instantes e de formas, Hilário Teixeira Lopes revela-se em espaços e tempos diversificados, mostrando-se capaz de preservar a memória de acontecimentos múltiplos, que não têm outra existência para além dos vestígios que deles subsistem.
Possessiva, intuitiva e apaixonada, a pintura de Hilário Teixeira Lopes reconduz-nos musicalmente ao ritmo da criação e ao gesto, no mais límpido exercício da comunicação humana.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea congratula-se, pois, por comissariar esta mostra de carácter retrospectivo, unindo-se à iniciativa da Liga dos Combatentes, num projecto de acção e divulgação cultural que em muito prestigia as Artes Plásticas portuguesas.
Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea
Gil Teixeira Lopes
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Gil Teixeira Lopes
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Matilde Marçal

foto de Maria João Franco


A Minha Esperança, fundição em bronze, 92x41x35cm, 1989
Capricho Italiano, fundição em bronze, 88x53x22cm, 1997
Inaugura a 4 de maio_ 19h
MAC - Av. Álvares Cabral, 58-60, Lisboa
Um conceito chave é comum a toda a produção escultórica de Santos Lopes – movimento. E neste conceito, o escultor encerra um conjunto de motivações formais – dimensão, textura, patine – através das quais nos é dada uma aparência física, dos seres e das coisas, capaz de afectar os nossos sentidos de tacto e visão.
Santos Lopes constrói a matéria inerte na sobreposição de planos, volumes, arestas, possibilitando-lhe diversas variações de posição relativamente ao fruidor.
Não se trata aqui de uma noção de movimento enquanto deslocamento dos objectos no espaço, mas sim de um movimento interno, de forças que se geram no equilíbrio da composição e as formas estáticas tornam-se cinéticas e dinâmicas, expandindo-se para além das três dimensões: altura, largura e profundidade.
A obra de Santos Lopes assume-se numa linha de investigação escultórica atávica, reforçando as preocupações tradicionais da prática escultórica que se prendem com o espaço, o volume, o peso, a gravidade.
Nela percebemos o interesse que os pontos de vista assumem no seu trabalho. Os pontos de vista dos corpos de Isadora em movimentos de dança, os pontos de vista de braços que dão lugar a asas em movimentos espraiados, os pontos de vista de abraços em movimentos de afecto.
A constância da prática escultórica de Santos Lopes está enraizada na disciplina artesanal do atelier, próxima à magia alquímica, que lhe confere destreza, pouco usual, no manuseamento das matérias, que vão do barro ao bronze, passando pelos gessos, pelas ceras, pelos ácidos.
À parte de todas as polémicas da pós-modernidade, Santos Lopes actua no terreno de uma prática oficinal cara à tradição escultórica até meados do século XX: o escultor é autor moral e material, em que o “pensar” não se distancia do “fazer” – projecto e obra fundem-se num só, afastando-se determinantemente do facilitismo que a industrialização permite.
Ainda cicatrizada pela técnica, a obra sai-lhe das mãos reiterando a proximidade do escultor com as ferramentas, os utensílios, as matérias.
O MAC – Movimento Arte Contemporânea dá as boas vindas a Santos Lopes, pela sua primeira mostra neste espaço, não querendo deixar de chamar a atenção para a forma total com que o artista se entrega à paixão pela arte, pela sua prática, pelo seu ensino, pela sua divulgação.
Firmada numa tradição estética repartida entre a disciplina e a sobriedade plástica, a exposição “Bronzes e releituras em tela” apresenta-se como resultado de um percurso entre a escultura e o desenho que, transportado à tela, perde o carácter de exercício prévio, assumindo autonomia de arte final.
Álvaro Lobato de Faria
O Kasper, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010
O Rei dos Macacos, 107x114cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010
Monsieur, 50x50cm, técnica mista s/ plexiglass, 2010
Alice, 50x50cm, técnica mista s/plexiglass, 2010