créditos

Direcção, organização e redacção
Álvaro Lobato de Faria e Zeferino Silva

Friday, October 29, 2010

HILÁRIO TEIXEIRA LOPES no Museu da Água


MUSEU DA ÁGUA / MÃE d`ÁGUA / AMOREIRAS

(comissário Álvaro Lobato de Faria )

inaugura a 23 de Novembro

e estará patente até 18 de Dezembro de 2010


HILÁRIO TEIXEIRA LOPES

DA COLORATURA MULTI-DIRECCIONALMENTE EXPANSIVA

66 Anos de Carreira

Hilário Teixeira Lopes é um pintor inquieto, passando por períodos estéticos diversos, desde a abstracção à figuração, do expressionismo à nova-figuração, tendo sempre presente um forte sentido geométrico nas suas composições.
Quando em 1965, ganha o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso – o mais importante prémio de pintura instituído em Portugal na altura – a sua obra começou a evoluir num sentido cromático pleno de intensidade expressiva, em que os volumes são rigidamente definidos em cores planas e o movimento é dado por múltiplas dicotomias, entre planos e espaços.
Esta evolução culmina em 1969, quando o quadro “Rugby”, conquista o Primeiro Prémio de Pintura na II Bienal Internacional de Desporto em Belas Artes (Madrid). Nessa ocasião, toda a crítica madrilena foi unânime em reconhecer a justiça do prémio e em verificar que o pintor português era incontestavelmente um dos casos mais promissores da pintura contemporânea.
O galardão conquistado confere novos estímulos ao pintor que rapidamente começa a trabalhar na procura de uma solução pictórica, coerente com a sua produção anterior, mas que agora se apresentava plena de qualidades matéricas, onde a exaltação da cor é dada por matizes diversos: da sua paleta explodem as cores quentes do sol e da terra, do sangue dos homens e do azul sideral dos astros.
Na pintura de Hilário Teixeira Lopes, as cores assumem-se como instrumentos, teclados e finas cordas distendidas, construindo na tela uma composição ritmada, impulsiva e vibrátil.
Numa dança de cor, mancha e forma, somos envolvidos numa orquestração cromática, onde a noção de tempo musical é indissociável da linguagem plástica do pintor, assumindo-se como modo de apropriação espacial, criando ritmos e andamentos cromáticos.
Esta noção de tempo e ritmo musical surge logo no processo de trabalho, no gestualismo rápido da aplicação da cor, na pincelada larga e expansiva que o pintor transmite à tela, na metamorfose lumínica com que Hilário anima e ilumina o espaço estanque, tradicionalmente assumido pelo suporte da tela, em repentinas erupções de cores agudas e gestos de impulso.
O nosso olhar segue o cerne ondulatório desse movimento e desta dinâmica vive o pulsar de um estado de paixão.
Depositário de um tesouro de instantes e de formas, Hilário Teixeira Lopes revela-se em espaços e tempos diversificados, mostrando-se capaz de preservar a memória de acontecimentos múltiplos, que não têm outra existência para além dos vestígios que deles subsistem.
Possessiva, intuitiva e apaixonada, a pintura de Hilário Teixeira Lopes reconduz-nos musicalmente ao ritmo da criação e ao gesto, no mais límpido exercício da comunicação humana.

O MAC – Movimento Arte Contemporânea congratula-se, pois, por comissariar esta mostra de carácter retrospectivo, unindo-se à iniciativa do Museu da Água, num projecto de acção e divulgação cultural que em muito prestigia as Artes Plásticas portuguesas.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea

  1. série alegria de viver
  2. série alegria de viver

3.série alegria de viver

4.série alegria de viver

o afonsinho e a sua madre

o pintor e o modelo



os anunciados visitantes


o guardião do tempo feliz

as meninas da casa de cima



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HILÁRIO TEIXEIRA LOPES (Resumo Curricular)

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
Realizou 40 exposições individuais, das quais se salientam as realizadas no Museu Español de Arte Contemporânea, em Madrid, em 1971 (por convite da Comisaria General de Exposiciones / Dirección General de Bellas Artes, Ministerio de Educación y Ciencia de Espanha), no MAC – Movimento Arte Contemporânea – Lisboa (1994, 1997, 1999, 2001, 2002, 2005, 2006 e 2008), Oficinas de Formação e Animação Cultural – C.M. Aljustrel e Forte do Bom Sucesso – Lisboa (2010).


EXPOSIÇÕES COLECTIVAS NO PAÍS (SELECÇÃO):
Participou em cerca de 550 exposições colectivas das quais salientamos, em Portugal: 1950/54 – Exposição do C.A.C.M.A., Sociedade Nacional de Belas-Artes. 1959 – “Salão da Primavera”, Sociedade Nacional de Belas-Artes. “Salões de Arte Moderna”, Sociedade Nacional de Belas-Artes. 1961 - II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. 1963 – Bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian – Paris. 1975 – “Abstracção Hoje”, Sociedade Nacional de Belas-Artes. 1982 - lª Exposição de Arte Moderna "ARUS", Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e Sociedade Nacional de Belas-Artes. 1983-0 Papel como Suporte, Sociedade Nacional de Belas Artes. 1984/5 - Exposição “Homenagem dos Artistas Portugueses a Almada Negreiros”, Galeria Almada Negreiros, Secretaria de Estado da Cultura. 1986 - Exposição “Operação Ensino Árvore”, Portex, Porto; V Bienal de Vila Nova de Cerveira; Exposição “Artistas de António Arroio”, Sociedade Nacional de Belas-Artes; III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. 1987 - II Bienal Escultura/Desenho, Museu Municipal António Duarte, Caldas da Rainha. 1988 - I Artejo 88, no Mosteiro dos Jerónimos. 1989 - Exposição de Pintura “Grande Formato”, Galeria Viragem, Cascais; Colectiva de Pintura/Escultura/Desenho, Galeria Ariarte, Lisboa; I Anual Arte Moderna, Lagoa; Colectiva, Galeria de S. Francisco, Lisboa; Exposição Comemorativa do Vigésimo Aniversário da Galeria de S. Francisco, Lisboa; Exposição de Pintura Comemorativa dos 125 Anos do "Diário de Notícias", Galeria DN, Lisboa. 1990 - Comemoração do 33º Aniversário da Galeria Diário de Notícias; I Exposição de Pintura Actual Portuguesa, Idanha-a-Nova. 1991 - I Bienal do Concelho do Sabugal; Exposição do Grupo Paralelo na Galeria Diário de Notícias, Lisboa. 1992 -Colectiva na Galeria Miron, Lisboa; Exposição do Grupo Paralelo na Galeria Loios, Porto; I Lisboarte na Galeria Caixa da Arte, Porto. 1993 – “Pequeno Formato”, Galeria Caixa da Arte, Porto; Cooperativa Árvore, "Exposição de Pintura, Comemorativa dos 90 Anos do Boavista Futebol Clube", Porto; Auditório Municipal de Gondomar, Exposição "Prémio Nacional de Pintura, Júlio Resende". 2007 – Exposição “Obras do Acervo de Arte do Sector Intelectual de Lisboa do Partido Comunista Português. Museu da Cidade – Lisboa. 1994 a 2010 – MAC - Movimento Arte Contemporânea, Lisboa.


NO ESTRANGEIRO:
1961 - II Bienal de Paris. 1963 - IV Salão Internacional Bosio, Monte Carlo, Mónaco. 1965 - VIII Bienal de São Paulo; Universidade de Anchorage, Alasca, USA; Salas H. Setern, Rio de Janeiro; Pavilhão de Portugal, Rio de Janeiro, Brasil. 1968 - Sala de Santa Catarina del Ateneo, Madrid. 1969 - ll Bienal Internacional del Deporte en Las Bellas Artes, Madrid, Espanha. "11 Artistas Portugueses", Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brasil. 1970 - IX Premi Internacional Dibuix Joan Miró, Barcelona. 1971 - III Bienal Internacional Del Deporte en Las Bellas Artes, Barcelona; X Premi Internacional Dibuix Joan Miró. 1972 -Anne Barchet Galeria de Arte, Madrid; XI Premi Internacional Dibuix Joan Miró. 1979 - Museu de Luanda, Angola. 1982 - 15 Anos de Deporte en el Art, Madrid; Exposição “Operação Ensino Árvore”, Biblioteca Municipal de Bordéus e Associação France-Portugal. Pau, França. 1986 - IX Bienal Internacional Del Deporte en Las Bellas Artes, Barcelona; 1988 - Arte Portuguesa Contemporânea, Museu Nacional de Literatura, Praga, e Palácio Passy, Bratislav, Checoslováquia; "Cinco Maneiras de Ver", Galeria Luise, Hanover, República Federal Alemã 1989 – "Cinco Maneiras de Ver", Dresdner-Bank-Munique, Alemanha. 1989 - Fiera Internazionale di Arte Contemporânea, Bolonha, Itália. 1991 - Fiera Internazionale di Arte Contemporânea, Bolonha, Itália. 1992 - Fiera Internazionale di Arte Contemporânea, Bolonha, – Itália; X Bienal Internacional del Deporte en Las Bellas Artes, Barcelona. 2007/2008 – Mostra Collectiva Associazione Artisti SPA+A di Venezia, Magazzine del Sale, Venezia – Itália.
PRÉMIOS:
Possui 17 prémios, de entre os quais se destacam: O 1º prémio na exposição de pintura na Universidade de Anchorage (USA) em 1965; o Prémio Nacional Souza-Cardoso, em 1965; o 1º Prémio em Pintura na II Bienal Internacional del Deporte en las Bellas Artes, em Madrid, em 1969 (participaram nesta bienal 416 artistas de 32 países); MAC’97 Carreira; MAC’99 Honorário; MAC’2001 Prestígio; MAC’2002 Mérito e Excelência e MAC’2002 Pintura, concedidos pelo MAC-Movimento Arte Contemporânea em Lisboa.
Foi ainda distinguido com a criação, em 2008, do Prémio MAC` Hilário Teixeira Lopes, criado em sua homenagem, para assinalar os artistas cuja obra se insira num campo de intervenções exemplares, ao nível da qualidade e inovação, na categoria de Artes Plásticas. A distinção foi-lhe atribuída pelo MAC, em primeira-mão, pela exposição “Do meu trato expansivo”, realizada em Março/Abril de 2008.

BIBLIOGRAFIA:
Dicionário de Pintura Portuguesa, José Augusto França, Estúdios Côr, Lisboa, 1973. Portuguese 20th Contury Artists, A Biographical Dictionary, Michael Tannock, Phillimore & Co., 1978. Dicionário de Pintura Universal, Vol. II, Estúdios Côr, Lisboa, 1965. Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses ou que Trabalharam •em Portugal, Fernando de Pamplona, Vol. lI 2ª Edição, Livraria Civilização, Lisboa, 1988. The-New York Art Review, Leo Castelli, Ler Krantz Edition, N. York/London. Dicionário de Arte Contemporânea, Editorial Presença. Catálogo Geral de Artistas Ibero-Americanos 1900/1990, Editora Arabet, Madrid,1990. Art Seen In, Helen Hood Reinhold, Palm Beach Illustrated, March, 1981. HILÁRIO - Hilário Teixeira Lopes, Vida e Obra, Quirino Teixeira e Ana Mafalda de Castro Portugal, Edição Tagol, Lisboa, 1990. Aspecto das Artes Plásticas em Portugal, Ed. Fernando Infante do Carmo, 1992. Guia d'Arte 92/93/94, Ed. Artes e Leilões / SECI. Arteguia Directório de Arte España & Portugal, António Villa-Toro, Ed. Fernán Gomez. 10 Anos de Artes Plásticas e Arquitectura 1974/84, Rui Mário Gonçalves e Francisco de Silva Dias, Editorial Caminho, Lisboa, 1985. Catálogo Nacional de Antiquários e de Arte, Estar Edª, 1994/5. Artes Plásticas Portugal-o Artista, seu mercado, Narciso Martins, Adrian Publishers, Porto,1993. Art Diary 1983/4 - The World's Art Directory, Giancarlo Politi Editore, 1993.

ver mais em http://www.movimentoartecontemporanea.com/

Tuesday, October 26, 2010

Isto é Selvagem como a Gramática da Pele








JOÃO DUARTE

escultura



JOSÉ MANUEL SIMÕES fotografia



Dia 11.

Isto é selvagem como a gramática da pele. O corpo procura ter
nexo com o futuro, ganhar tempo, projectar nele o animal que
não pára de andar à minha volta. Fico-me pelo que era, ou éra-
mos, não pelo que sou. Ou somos. Nestes dias, a água é lenta e
paciente, já não é filha do relâmpago, é agora uma fábula.
Escrevo com a memória das coisas, arrepio-me, sou uma canção.
Hoje celebro um outro contrato com a vida. A alínea do corpo é
retirada. Revogo o arrependimento e as lágrimas, estabeleço uma
labareda em seu lugar. Há uma pequena glória, como a alegria do
gelo na primavera, quando derrete e se transforma em regato, e
se transforma em rio, e se transforma em mar, e se transforma
em oceano, e se transforma em chuva, e se transforma em gelo,
e se transforma. E se transforma.
E me transforma.
JOAQUIM PESSOA
prosa


O MAC - Movimento Arte Contemporânea convida V/Exas. para a inauguração da exposição

Isto é Selvagem como a Gramática da Pele,

a realizar nos nossos espaços em Lisboa,
no dia 2 de Novembro, terça-feira, pelas 19h00.
texto de apresentação

Nestes tempos, em que as relações entre seres se contrapõem , surge agora esta exposição trivectorial “isto é selvagem como a gramática da pele” representada por estas três obras que nos seus modos diversos de concepção e expressão se entrelaçam no conceito. Divergindo de um ponto comum, estes três autores partem da essencia comum das criações, do fulcro essencial do desejo, tomando a mulher-mater como princípio sagrado de todos os estádios e sensaçoes. A pele, aquele orgão total do corpo humano é chamado como receptáculo das emoções primeiras, que os autores transpõem para a obra, neste respirar essencial. Pele , receptáculo de todas as sensações, nas simples ou complexas crispações emocionais, íntimas até ao absoluto extâse, do ser complexo na sua sensualidade que é o Homem. Diálogo visual, crispação intensa, gramática imprevisivel que abarca todo o reflexo do Ser na sua relação sensual constante com o quotidiano e o espaço mais ou menos obscuro , mais ou menos luminoso que habitamos. Pele, reflexo de micro cristais da luz do sol que permite toda a sensualidade das formas nas suas mais diversas soluções. Agora, o Mac tem o prazer de receber neste espaço estes modos de sentir nas formas várias de expressão: a Poesia de Joaquim Pessoa, a Fotografia de José Manuel Simões e a Escultura de João Duarte. Bem hajam!

Álvaro Lobato de Faria director coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea


A exposição estará patente até dia 25 de Novembro, dentro do horário de funcionamento da galeria.
Para mais informações sobre a exposição e artistas, consultar o nosso site
http://www.movimentoartecontemporanea.com

Monday, October 25, 2010

Roberto Chichorro

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no JL -Jornal de Letras




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"Arlequinando Fados da Vida"
Uma mostra de Roberto Chichorro.


D.R.


Pode ser visitada até ao dia 28 de outubro, no MAC - Movimento Arte Contemporânea, em Lisboa (Av. Álvares Cabral, 58/60), a exposição Arlequinando Fados da Vida, de Roberto Chichorro. Esta é uma ótima oportunidade para apreciar a obra do artista plástico moçambicano, que faz uma fantástica utilização da cor.

http://aeiou.caras.pt/arlequinando-fados-da-vida=f33377

ver mais em www.movimentoartecontemporanea.com



Tuesday, September 21, 2010

Roberto Chichorro no MAC







O MAC-Movimento Arte Contemporânea inaugura a exposição de

Roberto Chichorro

“Arlequinando Fados da Vida”

no dia 30 de Setembro de 2010,

quinta-feira, pelas 19 horas

no seu Espaço' Av. Álvares Cabral nº 58 – 60 em Lisboa, telefone 962670532.



A exposição estará patente de 30 Setembro - 28 Outubro 2010
Galerias: MAC álvares cabral

  • Extraordinariamente sensível na fluidez da linguagem e das formas, Roberto Chichorro reafirma-nos uma poética surrealizante e onírica. Contido num tempo essencialmente rítmico, rigoroso na técnica e na materialidade da cor, evoca em cada tela o sentido telúrico do seu universo e realidades pessoais, recheado de musicalidade e erotismo, num constante convívio metamorfoseado entre homens e animais. Arlequinando Vidas de Fado situa-nos no exacto lugar entre a pintura e a poesia, onde as cores, os sons e as formas se harmonizam de maneira a criar um reportório simbólico que celebra a vida como um jogo de acordes, em sucessões de ritmos intensos que ecoam no olhar e na memória dum inconsciente esquecido, de uma África latente em todos nós. Por invisíveis elos que se estabeleçam, uma interconexão de sentidos faz aflorarem significados submersos, inscritos num inconsciente de contextos sociais colectivos onde se adivinham as memórias pessoais que os geraram. Roberto Chichorro recupera as estórias contadas em noites mágicas, passadas de geração em geração, numa perspectiva de reconstrução do amor e do sonho, onde se fundam e fundem os seus eternos luares. Revela-nos as memórias da alma num horizonte temporal longínquo, muito para além da magia e do sonho, marcado por um colorismo imanente de mitos e ritos que se situam nas suas raízes e referências africanas, na ingenuidade possível de um tempo construído entre o real e o imaginário.

Tuesday, August 17, 2010

Miguel Barros no MAC



O MAC - Movimento Arte Contemporânea
inaugura no próximo dia 7 de Setembro, 3ª feira,
pelas 19 horas, a exposição individual de
Miguel Barros,
"Continente Berço"
na Rua do Sol ao Rato, 9C em Lisboa.




Uma exposição de Miguel Barros é sempre um convite para regenerar o nosso espírito exilado da poesia pelo gigantismo tecnológico.

O cromatismo e riqueza plástica da sua pintura, animada de uma real qualidade de criação, é um combate em defesa da poesia. Pintura intensa e mágica, possuída de sortilégio e de reflexões subtis, disciplinada na sua experiência formal e muito própria. Miguel Barros é um pintor-poeta, um cronista do imaginário, vivendo a visão livre da sua figuração psicológica, inebriada por um clima ameno de luz e sonho, celebrando um amor inocente por uma alma em liberdade, como num certo modo de espiritualidade ou de vida interiorizada, voltada para a integridade do ser existencial.

A sua pintura, onde os ritmos são um elemento estilístico, afirma a autonomia da cor, de uma importância fundamental.
Uma pintura da apreensão do espaço e da tenuidade do existir, restituindo-nos a história perdida e criando um outro modo de educação do olhar. A arte de Miguel Barros, extraordinariamente sensível na fluidez da luz e do lirismo, na vigorosa desmaterialização da cor, na força e no encanto da sua evasão e do seu êxtase, é uma fascinante e esplêndida aventura espiritual e técnica.

A cor é tratada como um jogo de acordes, em sucessões de ritmos intensos e tenazes que ecoam no olhar e na memória dum inconsciente esquecido, mas latente em todos nós.

Nas suas obras, encontramos a inserção de anseios e de sonhos, que são notas de realce, na Pintura Portuguesa Contemporânea.

A devoção e o enorme profissionalismo, a continuidade e o grande empenho que Miguel Barros nos transmite nas suas obras, revelam-nos estar perante um grande pintor e um excelente artista, reconhecido não só em Portugal como internacionalmente.

Álvaro Lobato de Faria
Director Coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea



A exposição estará patente ao público até 23 de Setembro.
com o horário da galeria
de segunda a sexta das 13h às 20h
sábado das 15h às 19h.
domingo , por marcação ,tm 96 267 05 32
contactos:
tel 21 385 07 89, 21 386 72 15
tm 96 267 05 32
para mais informação

Mestre HILÁRIO TEIXEIRA LOPES




crítica de Rocha de Sousa
no JL



ATÉ 8 DE SETEMBRO

Forte do Bom Sucesso,
numa parceria MAC - Movimento Arte Contemporânea / Liga dos Combatentes
a exposição
"da coloratura multidireccionalmente expansiva"
de HILÁRIO TEIXEIRA LOPES
integrada na homenagem prestada a este pintor pelos seus 66 anos de carreira.

horário:
De 2ª a 6ª Feira das 10 horas ás 18 horas –
Sábados e Domingos das 10 horas ás 19 horas.


Friday, August 13, 2010

Faleceu o Pintor Figueiredo Sobral


Figueiredo Sobral nasceu em 1926. Foi discípulo dilecto de Lino António, Paula Campos, e Rodrigues Alves, na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Até finais da década de 50, foi criativo gráfico de publicidade e ilustrador de fina sensibilidade de obras poéticas e literárias; colaborador da ENP - Diário de Notícias, veio posteriormente a ser co-fundador da Editora Minotauro. Dedicou-se à poesia, escreveu originais dramatúrgicos, vindo a colaborar também como maquetista-cenarista. As suas primeiras aparições como pintor ocorrem nos salões Gerais de Artes Plásticas da SNBA, ainda no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. Na segunda metade dos anos 60, sem abandonar a pintura inicia experiências na área da escultura. As suas obras constituem monumentos integrados em espaços urbanos ou decoram lugares públicos, sobretudo em Portugal e Brasil. Os seus trabalhos desenhos e gravuras, aguarelas, colagens, cerâmicas, tapeçarias, pinturas murais e esculturas, pertencem actualmente a acervos de arte estatais, institucionais e empresariais privados e colecções particulares Europeias, Americanas, Médio Oriente e Australianas. Prémio MAC’2000 – Carreira, atribuído pelo Movimento Arte Contemporânea, Lisboa.
in http://www.movimentoartecontemporanea.com/


da recente
Exposição de Homenagem a Figueiredo Sobral
"A Pintura e a Escrita"

Na verdade, Mestre Figueiredo Sobral é um buscador incessante de materiais e de formas a fim de dar sentido ao seu universo estético como suporte do discurso moderno.Quer utilizando a sua técnica dos relevos, cultivada desde os anos 60, em massa esculpidas num compromisso entre a pintura e a escultura de inspiração surrealizante ou de um realismo fantástico, ou quer expressando-se nas linhas simples de cores suaves das suas oníricas aguarelas ou materializando o pastel na criação esfíngica da boneca, no seu eterno feminino, ou nas visões cósmicas, Mestre Figueiredo Sobral configura a sua obra de grande qualidade no rigor e procura do surpreendente e do imprevisível.O mesmo labor e criatividade se projectam na escultura que merece um lugar à parte na sua obra e na história da escultura portuguesa.Com larga actividade em Portugal e no Brasil e noutros trabalhos monumentais, em lugares públicos espalhados pelo mundo, aplaudido pela melhor crítica, é tempo que Mestre Figueiredo Sobral ganhe o lugar universal que lhe compete.O Movimento Arte Contemporânea (MAC) é o espaço cultural que neste momento, muito se orgulha em o ter presente, com a sua excelente exposição individual "A Pintura e a Escrita”.
Álvaro Lobato de Faria
Director coordenador do MAC

"A PINTURA E A ESCRITA" é o título escolhido para esta exposição de pintura de Figueiredo Sobral, no MAC - Movimento Arte Contemporânea, cumprindo um seu velho sonho de aliar a poesia e os seus escritores de cabeceira à sua arte pictórica e escultórica.Deste modo, nestes 37 quadros povoam ecos de Eça de Queirós , em figuras representativas de uma sociedade de final do século XIX, onde a paixão, o vício e a ociosidade se entrelaçam em obras como A Relíquia, O Crime do Padre Amaro e Os Maias , cujo peso é bem sentido por aqueles que se intitularam a si próprios «Os Vencidos da Vida».Mas ainda dessa época , o pintor é fascinado por Camilo , na ironia da Queda dum Anjo e, por essa personagem de Calisto Elói, o político provinciano, que vai deixando cair as suas asas brancas à medida da sua ascensão, tal como diria Almeida Garrett no belo poema , com o mesmo nome, que é aqui pintado a espátula e a escárneo.É igualmente tocado pelo lado romântico de Camilo, em Amor de Perdição, nesse trio trágico-amoroso de Simão-Teresa-Mariana ou pela poesia de Flores sem Fruto de Garrett ou dos Sonetos de Bocage.Mas é Antero de Quental , o seu companheiro das noites insones, atormentado entre a fé e a descrença num Deus que sonhou e que é corporizado em quadros como «Ignoto Deo», «Na Mão de Deus», «O Crucificado» e «Mater Dolorosa» ou nesse poema contundente e desesperado de Alberto Lacerda, «Deus é uma blasfémia», que o pintor intitula «Carregando a terrível pedra de Sísifo ….Ehh, humanidade!!».No sentido crítico, mesmo no âmbito do sagrado, estão as suas preocupações sociais que são desmitificadas através da ironia, plasmada em tinta e pincel e ilustrada com poemas de Alexandre O’Neill ou de Manuel Bandeira. Num libelo contra a guerra erguem-se as vozes do poeta medieval João Zorro, ou de Fiama Hasse Pais Brandão.O seu próprio lirismo de pintor-poeta é assumido em poemas como «A morte de Manolete» e «Histórias com gritos de sevilhanas», encarnando a História Ibérica e ecos de Guernica. Portugal e os seus mitos, D.Sebastião e Marquês de Pombal, ressurgem nas suas telas e na voz de Camões ou na sageza histórica de Latino Coelho. ´A dimensão filosófica de Umberto Eco ou de João Rui de Sousa é captada na subtileza do relevo e da subversão da forma e da cor.Erguem-se, num cântico de amor, D. Quixote e Dulcineia, celebrando o sonho e a aventura dos eternos amantes. A beleza da mulher e a sua nudez visualizam-se na beleza cristalina da poesia de Camilo Pessanha ou de Adalberto Alves. Natália Correia e Florbela Espanca sugerem o mistério do amor, corporizado pelo pintor na sua forma surrealizante e barroca de se exprimir.E, finalmente, numa homenagem à mulher palestina e ao seu povo, Figueiredo Sobral dá vida ao poema de Mahmoud Darwish, (poeta palestino): «Juro!/ Que hei-de fazer um lenço de pestanas/ onde gravarei poemas aos teus olhos»É esta a mostra que o Mestre nos tem para oferecer, numa fase difícil da sua vida, em que cada vez mais interioriza a sua visão do mundo, isolando-se para se encontrar a sós com a sua arte, num diálogo que só ele entende, como dádiva miraculosa e perene que os deuses lhe ofertaram.
Elsa Rodrigues dos Santos
Lisboa, 9 de Março de 2005
in http://www.movartecontemporanea.blogspot.com/
O MAC - Movimento Arte Contemporânea
expressa a sua comovida homenagem
a este grande valor da PINTURA PORTUGUESA.